25 fevereiro 2009

grey time

Agora a esbórnia é relatada.
A narração dos fatos notáveis ocorridos.

Tenho um quase imperceptível sorriso no rosto que entrega o meu enredo de folia.
Adoro conhecer lugares diferentes e desfrutar o sol a beira-mar...
Mas minha certeza agora está voltada para as companhias e o sucesso que essas promovem.
Eu tenho um samba que fez a trilha do meu carnaval.
Peço liçensa, com todo o respeito, a Mart'nália e a Caetano Veloso:

Dez na maneira e no tom
Voce é o cheiro bom
Da madeira do meu violão
Voce é a festa da Penha,
A feira de São Cristóvão,
É a Pedra do Sal
Você é a Intrépida Trupe
A Lona de Guadalupe
Você é o Leme e o Pontal

Nunca me deixa na mão
Voce é a cancão que consigo
Escrever afinal
Pé do meu samba
Chão do meu terreiro
Mão do meu carinho
Glória em meu Outeiro
Tudo para o coracão
De um brasileiro

cinzas num dia cinza

quarta-feira de cinzas com
cara de quarta-feira de cinzas
tomarei um belo café da manhã no No café
lerei a Folha de São Paulo
e darei beijos estalados in my love

acabou-se mais um feriado e ele foi divino
embora quente demais
cultural
embora pudesse ter sido mais
produtivo
e de muitos pensamentos isolados.

obs.: não sei vocês, mas cada vez que escrevo penso no quanto vou fazer questão de ignorar a reforma ortográfica, assim como Clarice, sou uma apaixonada pela Língua Portuguesa.

09 fevereiro 2009

Fale com Ela

Um belo dia Freud descobriu que para amenizar a histeria de mulheres, e veja bem, de "mulheres", era necessário fazê-las falar.
E a medida em que iam falando, falando, falando. Melhoravam.
Era uma loucura que se acalmava proporcionalmente ao número de palavras enfileiradas.`
É claro que essa fórmula está mais do que comprovada, assim como está comprovado que a necessidade feminina da fala é bem maior do que a masculina.

Até hoje sinto que nossos hormônios borbulham por dentro e temos uma histeria controlada. Basta uma frase a mais para que não enlouqueçamos.
O sexo feminino, nesse sentido, se entende como ninguém.
E se os machos acham que falam muito quando comentam da transa da noite anterior é porque eles não tem a menor noção dos detalhes sórdidos salientados nas conversas entre calcinhas.

Bem, a questão é: namoramos, juntamos, casamos e, isso tudo, na maioria das vezes, com um homem.
Um ser inocente que nem sempre tem idéia da nossa inevitável vontade de ...falar.

E então, não bastando a sessão terapêutica, eis que surge uma outra pessoa pra nos ouvir.
E começamos, sem piedade, uma narrativa infindável onde quase sempre somos as injustiçadas e o outro, o vilão.

Então, falamos e falamos.
Choramingamos, viramos a cara.

E o outro, que até então se mostrava uma criatura pacata, quase em desespero pede: "Desculpa!"

Então limpamos o choro, sorrimos timidamente e o abraçamos.
"Ufa!", pensa o vilão.

Ficamos aliviadas e no outro dia percebemos que não era isso que queríamos dizer.
Que na verdade queríamos nos declarar, mas ele respondeu errado e acabou saindo outra coisa...AFE!
Em menos de um mês será o Dia Internacional das Moçoilas.
Venho por meio deste, solicitar o Dia Internacional dos Hombres.
Principalmente, daqueles que tem a sensibilidade de entender uma cobrança que deveria se traduzir em "Eu te amo" e que eles, firmemente, no intuito de salvá-las da histeria coletiva, escutam e relevam.

08 fevereiro 2009

02 fevereiro 2009

SPAz do Espírito

Acho que a maioria dos pecados e sofrimentos são cometidos pelo excesso.
O excesso vem me incomodando já a algum tempo.
Até o excesso de felicidade me causa repulsa e me soa dissimulado.
A demasia abrupta.
Excesso de carência, excesso de auto-piedade, excesso de presença....

Sim, eu também peco e sou atormentada pelos meus ainda excessos.
O excesso de palavras que transitam dentro de mim me perturbam de tal forma que em qualquer momento de desmazelo por parte de minha mente elas começam a sair descompensadamente.


Então, me vejo desprezando a minha pessoa.
O excesso de qualquer espécie é desprezível.
O excesso é a carência da alma.
O gozo em excesso é desespero. É um transbordar de falta de imaginação.

Deus prive meus olhos, meus ouvidos e minha boca dos meus descontroles e dos da maioria da população mediana e ao meu redor.

E que eu consiga, também, julgar de forma mais comedida.
Sem tanto asco. Sem tanta pena. Sem excesso.