09 dezembro 2011

Listras de verão parte II


"Desperta-me, Senhor! Sopra-me palavras inéditas, inspira-me com lampejos e intuições. Tira-me do sério, dos trilhos, da forma. Dá-me sobressaltos e suspiros, desvarios e fome. Dá-me plena posse de mim mesma, para o bem e para o mal."

Amém.

(via Hilda Lucas)

06 dezembro 2011

o cinema, a psicanálise e a teoria do espelho

Sonho
Sonhamos pra não acordar.
O sonho tem a mesma função do cinema, onde encontramos e perdemos a realidade o tempo inteiro.

Espelhos
Somos todos espelhos uns dos outros.
Sabe quando a criança bate no amigo e corre pra mãe dizendo que apanhou?
É isso. Quando bato no ourtro, na verdade bato em mim mesmo.
Eu sou o outro.
Atraímos espelhos o tempo inteiro.
1º você ri do outro
2º se reconhece no outro
3º não sei mais quem eu não sou

Psicanálise
A psicanálise só existe se você puder falar livremente, fazendo as associações que quiser, sem preconceitos ou críticas.
A psicanálise não ENTENDE porra nenhuma. Ela escuta, compreende e conclui.
Entendeu?
Errou.
Entender é perder.
Você precisa mais ou menos acompanhar.
O que define a sessão é a lógica interna. A cronologia do tempo não existe.
Como um filme bom, que dura três horas e não se percebe.
Ou um filme ruim, que dura 15 minutos e você dorme.

Falar
Por que ao falar a gente se nega o tempo inteiro?

A vida não é filme?
As coisas não se validam na vida porque falta trilha. Não compreendemos porque falta a música.
No cinema, a música dá significado à cena. O diretor tira a trilha quando quer confundir ou apresentar diferentes significados a uma cena. Na vida, a música só vem depois, porque não importa o que aconteça, quem dá o real significado para as coisas somos nós mesmos.

24 novembro 2011

Esqueça o próprio nome

Eu medito há dois anos e a meditação mudou minha vida sim.
Hoje eu não tenho mais insônia e controlo minha vida muito mais do que antes.
A meditação te dá aquela sensação de pegar a vida com a mão e fazer dela o que você quer mesmo fazer.
E só isso.
A meditação não te limita.

Pois bem, fui no TEDxDaLuz esse fim de semana e consegui uma nova técnica de relaxamento que nunca tinha usado: "Ao fechar os olhos e não pensar em nada, sinta como se você não tivesse nome".
Gente! Isso é libertador demais. Quantas coisas (inúteis) associamos ao fato de termos um nome?
Muitas.
Não ter um nome é realmente não se importar. É muito: "E daí?"
O nome nos mantém muito presos.
Então, a partir de domingo comecei a usar a "nova técnica", e relaxar infinitamente mais.
Já entrei, algumas poucas vezes, em transe de verdade.Quero dizer: tive consciência de não estar consciente. E é maravilhoso.
Mas na última madrugada aconteceu algo surpreendente: eu saí do corpo.
Não, eu não enlouqueci. Saí do corpo de verdade.
E também não usei drogas. Bebi uma taça de vinho e só.
E eis que depois de 30 minutos de meditação, comecei a sentir meu corpo pesado. Queria me mexer e não conseguia, ou melhor, meu corpo estava tão pesado e imóvel que flutuava.
Oi?
Ai, sei lá, mas consciente disso, comecei a flutuar mesmo, aproveitar o relaxamento. Fui até o teto.
Depois, pensei, quero ficar em cima da casa. Vou tomar impulso e atravessar o teto, o quarto de cima e vou ficar flutuando a céu aberto, que é infinitamente melhor, não?
Consegui passar o teto, mas depois do telhado, perdi a consciência de estar flutuando.
E foi uma das sensações mais foda que já me aconteceu.
Que tal esquecer que você tem um nome?

18 novembro 2011

onde e quando?

Houve um tempo que todos os acordes de jazz combinavam.
Houve um tempo que esperei, esperei, e só quando disse: "é meu e pronto", as coisas aconteceram.

Fui por um lado, fui por outro e, posso dizer?
É difícil mesmo, depois da bagunça, as coisas assentarem.
Não sou o senso comum, e digo, infelizmente.

O básico, que deixa feliz a todos (feliz?), a mim não convence.
Faz tempo que minha vida é roteiro de filme.
Só muda o diretor.

E Bergman já me abandonou faz tempo. Woody insiste em ficar.

03 novembro 2011

Amor?

Amor é esperar o cimento secar.
Amor é perdoar, encontrar motivos para ficar juntos todos os dias.
Amor é querer voltar mais cedo para casa, é a preferência.
Amor é investimento, é a crença de que vale a pena.
O amor acaba?
Não. O que acaba é a vontade. Não se deixa de amar. Desiste-se.

30 outubro 2011

Mulher gato sim senhor

Há, meu Deus, maior prazer para um ariano do que o de tomar uma decisão?
Acredite, nenhum.
Imagine para um ariano com lua em áries, meio-do-céu em áries e vênus (sim, vênus) em áries?
É algo libertador.
E eu que achava que eram os dias nublados, as contas infinitas ou as diferenças que me tiravam a paz.
Não. O que me tira a paz é a dúvida, a incerteza. Não saber se espero ou esqueço, se choro de alegria ou de tristeza.
Esperar é difícil, muito bem sabemos. Esquecer também é difícil, não é? Mas acontece também.
Mas não saber que decisão tomar é o pior dos sentimentos!!!
É o caos. É viver uma vida morna. É como estar sempre na iminência de viver.
Tomar uma decisão é ter uma direção. Continua tudo certo e nada resolvido, obviamente.
Mas esse é o status quo da vida. Não tem jeito.

16 outubro 2011

É preciso perdoar

De todos os meus não defeitos, do que eu mais me orgulho é de não guardar mágoa ou rancor.
Pessoas ressentidas ficam feias, carrancas. E acabam desencadiando uma série de episódios constrangedores em suas próprias vidas.
Todas as vezes que eu perdoei, que eu não fiz barraco, que eu aguentei firme, a vida me ofereceu o melhor prêmio: a dignidade.
Existe, minha gente, recompensa melhor?
Existe algo parecido com o olhar suave que disparamos para as enrrascadas que pessoas que não sabem perdoar se metem?
E, existe algo mais motivador do que perdoar alguém?

Não. Digo com conhecimento de causa.
O mais difícil sempre é perdoar a nós mesmos. Então, guarde seu câncer para outra vida. Perdoe.
Sua alma agradece. E seu cotidiano também.

02 outubro 2011

Deu canastra

Você deve conhecer um canastra. Aquele cara ex de uma amiga, ou aquele que sempre tentou mas não conseguiu ficar nem com você e nem com nenhuma das suas amigas.
Não, não existe só esses dois tipos. Tem aquele que já ficou com todas, passou o rodo geral. Do tipo que você tem até vergonha de reconhecer: "é, eu também".
Não, o canastra não chega a ser um mala. Geralmente bem informado, ele até massageia um ego carente no auge da tpm. Mas o legítimo canastra não tem o menor bom senso de perceber que nenhuma mulher realmente interessante leva ele a sério.
As que ainda não conhecem, caem. E se ele tiver pegada e alguns requisitos extras, ele até volta a fazer sucesso. Mas a tendência é de acabar virando piada mesmo. E, acreditem, todo pobre canastrão, no fundo, é um romântico e anseia por uma relação.
Porque ele cansa. Começa a perceber que o salão está esvaziando, sua barriga crescendo, sua cama sem ninguém e o desespero toma conta.
E o ataque, antes por MSN e SMS, começa a ser por chats do FB e DMs do twitter. Ele dá em cima de tanta gente, com cada vez menos talento, que não passa pela cabeça dele que as mulheres conversem entre si.
Na ânsia de reverter sua situação, ainda vai atrás de mulheres inteligentes e informadas. E elas, que de início até caem, com o passar do tempo fogem. A admiração dá lugar a compaixão, tamanhos tropeços o solteirão dá no próprio ego.
Porque cantadas baratas e repetidas só dão resultado em novela das 21h, e continuam fazendo mulheres bacanas bocejarem.

25 setembro 2011

08 setembro 2011

quero chegar em Ipanema

"Estou adorando São Paulo, tudo muito grandioso, organizado, boas pessoas, bons restaurantes, ótima vida noturna e cultural. Mas tem um problema: a gente anda e anda e nunca chega em Ipanema."

do poetinha Vinícius

01 setembro 2011

terei que dar?

No post do Marcelo Rubens Paiva em que ele descreve mais uma das inúmeras conversas que tem com amigas em mesas de bar, ele conta que elas divagam sobre a questão "dar". Dar ou não dar na primeira, dar por obrigação(?), dar na hora certa (???). 

Embora eu tenha trabalhado desde a adolescência e não seja uma perua fútil e consumista, estou muito longe de ser uma feminista. Continuo achando que homem é homem e mulher é mulher. E essa história de igualdade funciona muito bem quando o assunto é trabalho, mas quando o assunto é salário, mulherzices, tpm, gravidez, filhos, as coisas são diferentes. E tudo bem. Cada um aguenta a bronca de um lado. Mas sexo é sexo, não? Digo, sexo é prazer, é vontade, é o resultado do beijo bem dado, suado, bêbado, não?

A verdade é que eu nunca me conformei com essa história de mulher não poder dar no primeiro encontro - o que quer dizer no primeiro beijo. Não pode dar na primeira vez que você fica com o cara?
Que tipo de mulher acredita nisso?

Não é a maternal. Talvez a carente e insegura. A que acha que até na hora de dar é a opinião do cara e não a própria vontade que conta porque quer desespearadamente que ele ligue no dia seguinte.

Não sou a favor de dar na primeira ou na segunda vez que se fica com um cara. Sou a favor do sexo quando existe o tesão real. A vontade. Não é isso que importa? Para os homens sim. E para as mulheres deveria ser também, a não ser que ela tivesse outros planos.

Não acho que eu tenha cabeça de homem. Pois não tenho a objetividade de olhar para uma bunda e sentir vontade de dar. Aliás, não existe parte do corpo de um homem - com quem eu nunca tenha falado - que me transmita vibração sexual. O que quer dizer que preciso conhecer o cara, saber de que ideias se alimenta, o que já construiu com sua massa cefálica e o conjunto da obra, para que eu sinta vontade de beijar.

O dar é consequência do beijo, do abraço, da pegada. Se o cara não tem pegada, a gente não quer dar, se o cara é afeminado, perde-se (ou eu pelo menos perco) o tesão, se o cara pergunta se eu quero "fumar um" eu bocejo e fico com um pouco de preguiça. Cada uma reage de um jeito, o corpo, os hormônios, o cérebro, cada um tem uma resposta. Mas se estiver solteira e rolar com aquele cara incrível e quiser dar... não vai?

Que papo é esse de que homem não gosta de mulher que dá de primeira?
Homem não gosta é de mulher que tem tempo de sobra pra ficar esperando ele ligar no dia seguinte.
Arranje o que fazer: trabalhe mais, vai pra manicure, pra ioga, pro pilates, pro curso de italiano ou vá pra farmácia comprar mais camisinhas.
Uma hora ele liga.
Homem gosta sim de mulher que dá.
Homem não gosta é de mulher carente e insegura. E vamos combinar? A gente também odeia homem assim.

25 agosto 2011

um carioca e a conta

Tentando postar há uma semana.
Escrevo. Acabo ficando com vergonha do que escrevi. Apago. E fica por isso mesmo.
Preciso ler mais (mais?), ir mais ao cinema, conversar com gente diferente daquelas que converso normalmente. Dar atenção ao acaso.
Praticar mais yoga. Me apaixonar. Sofrer. Mudar. Me mudar.
Essas coisas que causam inspiração instantânea.
E depois disso sair andando, anotar tudo e passar pra cá.

31 julho 2011

Sorrir com os olhos

Já estou ciente. Sei algumas coisas. Sei que não são as roupas que tornam as mulheres mais ou menos belas, nem os cuidados de beleza, nem o preço dos cremes, nem a raridade ou o valor dos adornos. Sei que o problema está em outro lugar. E não onde as mulheres pensam que está.
M. Duras


Pele, cabelo, corpo, tudo, vem de dentro. Beleza? Dentro.
Brilho? Dentro.
Magnetismo?
Tudo vem de dentro.
A gente transborda o que sente, o que come, o que acredita.

As pessoas mais bonitas que conheço não são extremamente vaidosas ou têm coleções de sapatos.
Não fazem tratamentos caríssimos de beleza. Não foram simplesmente abençoados pela genética.
São, na verdade, apaixonadas pelo o que fazem. Se alimentam de novas ideias e de realizar pequenas coisas que acabam maiores porque a intenção é genuína.
Tempo de sorrir mais com os olhos.

09 julho 2011

vai uma aulinha de yoga, aí?

E a yoga entrou na minha vida.
Assim, logo às 7h da manhã que é pra não ter muito tempo pra pensar em algo mais bacana pra fazer.
Pensei: vou fazer duas vezes na semana. Tá mais que bom. Nos outros dias eu medito, ou corro...
Não deu. Eu, que já sou lesada por ter um DDA desgraçado, imagina às 7h da manhã?
O professor diz: "o movimento é esse, entendeu?"
E eu, na mesma posição que ele digo: "não"

Então, vai ter que ser 3 vezes mesmo.
O bom é que abandonei a academia. As pessoas são muito felizes e conversadeiras na academia.
Na yoga rola uma concentração e não dá tempo do povo querer "se enturmar".
Academia é chato por causa disso. Mania que o povo tem de ficar amigo e dar beijo e combinar de ir junto.
Odeio. Odeio ir junto pra qualquer lugar. "A gente se encontra lá" não é mais legal?

Pois é, estou na yoga. Conheço pouca gente.
Não olho pra ninguém, porque não dá tempo, e acho que não existe exercício melhor para os braços.
O glúteo... Bem, eu continuo achando que não existe, ainda, nada melhor pro glúteo do que aquele exercício contrangedor de 4 apoios. Afe.
Mas espero que a yoga ainda possa me surpreender.

03 julho 2011

ser gentleman é sexy


Se tem algo que desprezo num homem é a falta de cavalheirismo. Esses tempos modernos trouxeram muitas conquistas para nós mulheres que precisamos, sim, desenvolver nossas habilidades criativas para nos realizarmos como pessoas e profissionais.
Já disse outra vez, mulher é diferente do homem, embora consiga fazer a maioria das coisas que o homem faz e faça algumas que eles nunca vão conseguir.

Mulher engravida, homem não. Mulher fica menstruada, homem não.
E, embora exista uma multidão de homens sensíveis nesse mundo, mesmo que uma mulher esteja extremamente bem resolvida com ela mesma, todo mês ela sentirá uma vontade incontrolável de chorar por um motivo "x". Que logo passa.
Embora existam muitas com mais de 1m70 e outras tantas que pesem mais de 70 kilos, ainda assim, essa criatura é mais frágil do que você, homem.
Mulher é mulher. Homem é homem.

O que mais me surpreende, especialmente aqui em São Paulo - onde os "direitos iguais" deram lugar a grosserias masculinas - é que muitos dos meus amigos gays são infinitamente mais cavalheiros do que os homens.

Mais uma pista de que ser cavalheiro independe de sua sensibilidade, ou de admitir diversas trocas de papéis. Ser cavalheiro é bem bacana, viu?


E, se condeno os paulistanos, não estou aqui generalizando, visto que namoro um. Mas isso é algo que até minhas amigas (gaúchas ou paulistas) reclamam.
Dividir a conta, buscar o bofe em casa, deixar o bofe em casa, escolher a bebida, ter que pegar sua própria bebida, coisas bobas, mas que sim, fazem toda a diferença.
E o cara ainda se sente pressionado se a menina liga. Oi? Em que mundo afinal vocês vivem, bonitões?

Se tem algo que não falta em São Paulo é homem. Beeeem diferente de Porto Alegre, né gurias? E os homens aqui, além de sobrarem nas festas, são bastante interessantes, inteligentes e - sim, achamos isso importante - bonitos.

Então, não estamos desesperadas, boys. E falo pelas solteiras e também pelas bem acompanhadas que conheço.
Não precisa abrir a porta do carro, porque sabemos que a porta é automática. Mas nos leve em casa, ainda que de táxi. Espere a gente entrar até arrancar.
Deixe a gente passar primeiro. Pergunte o que a gente quer beber ou comer. Pague a conta ou deixe a gente pagar, não fique nessa punheta de dividir.
E, sim, existem as mulheres que amam uma relação extremamente igualitária. No estilo cada um por sí e Deus por todos. Mas elas são tão poucas que eu não conheço nenhuma.
Ser cavalheiro não é ser machista.
É aquela voz pedindo: "seja homem".
:)

13 junho 2011

Imagem é o bastante

Sempre achei que eram as palavras, e não as imagens, capazes de mudar tudo. Achava que estava nas letras das músicas e não na melodia o segredo do sucesso de um som.
Mas faz algum tempo que são as imagens que me causam textos. E eu as procuro cada vez mais. Desde ainda temprano até o início da noite.


Os textos se escondem em lugares menos óbvios quando através das imagens.
Ainda é difícil pra mim, que sempre achei resolver a vida com diálogo.
Eu tento uma, tento mais uma, e lá pela quinta vez eu canso. É um defeito?

Eu canso e calo. Me fecho num mundinho estranho particular que existe apenas através das imagens.

04 junho 2011

Sou cada pedaço infernal de mim


O som inaudível do quarto era como o de uma agulha rodando no disco quando a faixa de música já acabou.

Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber.

Minhas botas ortopédicas

Eu sou gremista. Meu pai é colorado.
Acho que não chegou a ser um desgosto pra ele porque eu sou mulher.
Se fosse homem seriam outros 500.

Sou gremista por causa do tio mais politicamente incorreto que tenho.
Um tio que fez a minha infância mais leve. Sim, os pais não conseguem fazer isso.

Lembro perfeitamente de chegar na casa desse tio e ele ordenar que eu tirasse as botas ortopédicas que para mim eram um peso social e físico.
Lembro dos churrascos maravilhosos feitos por ele nos domingos sempre ensolarados.
Meu tio faz um churrasco de deixar até vegetariano com água na boca!

Lembro dele fumando malboro, bebendo cerveja e torcendo para o Senna conquistar mais um pódium.
Com ele aprendi a torcer pro Grêmio e pro Senna, mas o cigarro eu deixei pra lá.

E mais tarde o hábito da cerveja também foi levado em conta.
Cerveja e vinho são as bebidas que posso beber sem passar mal. Sou fraca de verdade pra bebida.

Meu tio sabe bem disso. Acho que eu tinha uns 15 anos quando ele, junto com meu pai, me buscou depois de um coma alcóolico em Tramandaí - veja que não há um pingo de glamour nessa história mas nunca deixei de lembrar dela com carinho.

Meu tio me levou para ver corrida em Tarumã!!! Vocês sabem o que é isso para uma criança?
A primeira vez que fiquei num hotel na serra gaúcha foi com o tio Pinto e com a Tia Bertha. Com minha prima também! E eu era tão mimada, tão mimada, que ainda hoje sinto gratidão com um bocado de vergonha.

Não existe lugar mais aconchegante nesse mundo do que a casa dos meus tios. Não existe. Eu sei. E nem mesa mais farta.

E agora, meu tio está na UTI e eu me sinto mais frágil do que uma criancinha indefesa com suas botas ortopédicas. Não me importando com as pequenices dos meus problemas mundanos. Não me importando com meu tão sempre festejado fim-de-semana.

Se eu tivesse direito a fazer um pedido agora, seria: assistir ao próximo jogo do grêmio com meu tio.
Tio, você é o homem mais forte que eu já conheci! Não me decepcione.

25 maio 2011

meditação on


Pensar ou não pensar.
Tenho sempre a cobrança interna de que preciso de foco. Preciso me organizar e fazer tudo o que precisa ser feito.
A verdade é que fazer ao menos duas ou três coisas bem feitas faz com que o resto entre nos trilhos.
E, então, aquele eletrodoméstico indispensável já não faz tanta falta. Aquela jaqueta nova já não é essencial para se continuar vivendo. Aquele curso incrível vai poder esperar mais um semestre, sem que você entre em depressão.
Nem saber de tudo antes vai ter o mesmo valor.

Planejar o seu tempo? Ter todas as ferramentas? Pais que te apóiam, vida sexual ativa, salário, trabalho, amigos, everthing...
Sim, já sabemos que nada disso é o bastante.

Relaxar e deixar as coisas fluírem.
Impossível?

Hay que tentar todos os dias. Hay que esperar. Hay que confirmar.
E enfim, aproveitar.

08 maio 2011

Preto Velho

Fui num terreiro de preto velho uma vez.
Faixa branca diria pra mim inutilmente minha amiga mais velha, conhecedora do assunto.
Eu que não acreditava em espiritos; vida após a morte; reencarnação e toda a pieguice a respeito, me via naquela casa, com cadeiras de plástico brancas na sala de espera.
Chegou a minha vez. Entrei e me posicionei na frente de um deles.
O meu preto velho era claro, quase albino. Fez sinais na parede de subida.
Falou de inveja como todos os charlatões do gênero costumam falar.
E me deu um conselho. Sabe aquele conselho que você passa anos esperando dos amigos tão desesperados quanto a gente; dos psicanalistas e terapeutas com sessões caríssimas; dos astrólogos e tarólogos famosos, e nenhum deles tem a capacidade de dar?
Foi esse conselho que ouvi do preto velho em questão.
Ele disse: você tem um problema? Fale com a pessoa envolvida. Assuma. SDê a cara a tapa. E eu garanto que você vai resolvê-lo. Poderia resolver e se chatear, mas você tem a faca e o queijo na mão. Basta usar.

Eu? Falar sobre o que sinto? Eu, me humilhar? Eu, me expor? Eu que herdei de meu pai o calar, o aguentar firme, no osso? Eu que achava que as coisas deveriam se resolver por mim?

Mas no desespero dos dias, foi o que eu fiz.
E eu resolvi.
E continuo descrente de vidas em outro plano.
Continuo cética a esse respeito.
Mas o preto velho me ajudou.

E você aí, desesperado, louco para saber o endereço desse terreiro em Porto Alegre. Eu digo que não sei. Esqueci. Apaguei.
Não voltarei mais lá ou em qualquer outro lugar para que me digam o óbvio.
Só existe uma maneira de se resolver a vida.
Se expondo.

27 abril 2011

Na estrada

Temos a real ilusão de que sofremos quando as coisas acabam.
Quando termina, quando partimos, quando eu sou convidada a me retirar, sou despejada, mandada embora. Trocada? Substituída.

Mas a grande verdade é que já estamos sofrendo há algum tempo. Estamos penando, moendo. Estamos dançando o último tango do fim. Ninguém sorri durante um tango. E você tem direito a dar uma última ligação, e quando liga, ninguém atende. E se atende diz que precisa desligar.

Não existe um fim sem um caminho. Até a morte acidental tem um caminho. E ele é inteiro percorrido. E quando acaba, perguntamos "por quê?"

Quanta gente vai morrendo por dentro? Vai se matando, se testando, se pisando, se odiando.
Tudo termina sempre. Estamos sempre caminhando pro fim. Tendo ou não grandes objetivos, caminhamos pro fim. Porque queremos desesperadamente mudar de vida, ou porque queremos nos entorpecer pra não pensar. Queremos viajar, queremos saber de coisas novas, queremos aprender. Ou, ainda, quando sedentários, acomodados, céticos, desesperados. Todos caminham pro fim.

O fim é cruel com quem se sensibiliza com despedidas. É cruel com quem tem medo do novo.
Ah! - diriam os otimistas - mas o fim é o começo!
Sim, é o começo do fim.
Tudo caminha para o fim. Vejam os pobres ecochatos tentando defender um planeta que caminha pro fim. Tentando adivinhar o ano para não serem pegos de surpresa. Quando não há anúncio algum. É de repente.
Porque tudo vai acabar, ou está acabando.

Tudo finda.


Fim

20 abril 2011

Minha vida sem inferno astral

Sabe aquela fase do tudo certo, nada resolvido?
Ela dura a vida a toda.
A gente pode casar com o amor da vida; ter um emprego estável; realizar o 'sonho da casa própria'; trabalhar no lugar dos sonhos, que a fase não passa. Não passa. Não passa.

Tem sempre uma goteira para consertar. Uma reforma que não termina. Uma semana que não acaba e o juro do cartão de crédito gritando na fatura que você esqueceu de pagar. Tem sempre um amor não correspondido. Um não amor. Um desamor. Um medo infinito de não ser boa o bastante. E também a dúvida. A insegurança. O espelho.

Num mundo em que a gente finge sofrer por uma coisa quando na verdade está sofrendo por outra, ser feliz é poder escolher entre o comprimido vermelho e o azul, e escolher o vermelho. Não que isso resolva a sua vida. Longe disso. Mas dá uma aliviada dessas que você agradece eternamente.

Talvez por isso eu não tenha tido inferno astral esse ano. E talvez por isso, mesmo na faixa dos 30, eu não me importe muito em fazer mais um aniversário. Ninguém escapa deles. Faz algum tempo que me assumi ser mulher e não menina. Faz algum tempo que eu adoro isso.

Sempre achei que odiava fazer aniversário porque estava ficando velha. Mas acontece que me sinto velha desde os 18 anos, quando comecei a trabalhar como modelo e meninas de 13 anos, secas e com 1 e 80 de altura entravam na agência e pareciam poder pegar todos os trabalhos. Pareciam poder tudo em virtude dos 13 anos que exibiam.

Eu sofria e pensava: "estou velha". Sim, eu tinha 18.

Mas desde que comecei a meditar, e meditar te faz pensar (e pensar aqui entenda por pílula vermelha) percebi a pegadinha que tinha nesse falso sofrimento.
É, meditar é bem como Tainá Müller disse na edição #103 da Tpm. "É encontrar Jesus!"
Eu não sofria porque me sentia velha, sofria porque me sentia rejeitada, gorda e inferior.
Ah, tipo chata, feia e boba? Sim, soa ridículo, mas saiba que não tem nada mais difícil para uma mulher do que assumir se sentir assim.
Vou mais longe e ouso dizer que são esses, tirando os casos de vida ou morte, os únicos 3 motivos responsáveis pela infelicidade das mulheres. E mais, o gorda não tem nada a ver com quanto você pesa. É algo interno, não externo.

Mas é mais simples acreditar que a insatisfação se resume a ficar velha. E como sempre o buraco é mais embaixo.
E isso não é auto-ajuda. Veja bem! Tanto que esses três sentimentos continuam me atormentando vez que outra. A diferença é que hoje eu sei que não importa a idade que se tenha, a sensação é a mesma.
Quer momento de maior tormenta na vida de uma mulher do que a adolescência??? A famosa flor da idade.

Saber o real motivo ajuda você a perder aquela mania idiota de falar: "Eu era feliz e não sabia...".
Mentira! Você não era feliz porra nenhuma.

Pode acreditar, saber o real motivo, faz com que, pelo menos, eu aproveite os bons momentos em que não estou me sentindo gorda, rejeitada e inferior. É fútil. É um comportamento feminino imbecil. É assumir uma fraqueza besta.

Sim. Mais uma prova de que está tudo certo e nada resolvido. :)

18 abril 2011

Tahnks God!

Meu fim de semana foi incrível, a semana só tem 3 dias, hoje é meu aniversário e vou pra praia no feriado com o melhor namorado do mundo. Obrigada, Deus, Susan Muller, ou seja lá quem for o responsável por esse posicionamento cósmico brutalmente favorável.

16 março 2011

Primeiro eu

RT @FrasesDeClarice: Respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você.

Nunca respeitei tanto. Não é fácil, porque temos que bancar essa escolha. E isso inclui e exclui pessoas.
Na real, é bem difícil.

Quase uma obviedade

Elogiado e odiado quase que na mesma proporção, Cisne Negro foi pra mim como a vida: um soco no estômago.
Fui assistir sozinha, à noite, no Shopping Higienópolis. Voltei a pé pra casa sem conseguir dar um parecer do filme. Não sabia até que ponto o estilo do diretor me incomodava, e nem até que ponto isso era uma fuga para admitir o tapa na cara que eu tinha levado. Sim, depois do soco, veio o tapa. E não parou por aí.
Os bons terapeutas não cobram caro porque temos vergonha de confessar que estamos sofrendo, mas sim porque temos vergonha de confessar o real motivo. Caso contrário, o ombro do amigo bastava. Sofrer todo mudo sofre, mas poucos admitem o porquê. Até para curarmos nossas mágoas somos covardes e orgulhosos.

Pois eis que surge diante de mim a quase obviedade de Cisne Negro. Tão lugar comum que o beijo lésbico ocorre entre duas mulheres lindas e heterossexuais.
E eu demoro um mês para escrever sobre ele. Cisne Negro me deu uma surra. Como o primeiro dia de massoterapia. Depois da surra vem a real.

A técnica sem a malícia. A beleza sem sex appeal. A experiência sem o jogo de cintura.
Numa discussão sobre beleza, numa reportagem que fazia, uma modelo dizia: "é duro para mulher bonita envelhecer", no que uma jornalista retrucou: "duro é não ser bonita nunca, minha filha". E a psicoterapeuta salva: "duro é não se sentir bonita. Pior, nunca usar isso a seu favor".
E eu, leiga em assuntos variados, também quero falar: "difícil é envelhecer com dignidade".
Não é o que a mãe do cisne faz no filme. Envelhece cheia de recalques precisando de alguém para apoiar sua frustração. Ninguém que se apoia noutro para viver pode ser bonito.
Claro que também concordo com a jornalista em questão (que não sou eu), mas duro mesmo é não usar aquele algo mais que só vem depois de um beijo, depois do sexo, depois do quinto gole de vinho, depois de seduzir (e aqui leia-se infinitas formas dessa prática).

E quem não usar - e raros são os cisnes negros - vai ficar sempre imaginando fantasmas maquiavélicas que querem passar ela pra trás, colocando defeito no modo de agir de todas as outras, tentando matar a inimiga, quando, na verdade, o óbvio acontece.
Acontece e, claro, você morre no final. E morre feia.

17 fevereiro 2011

Já pode mudar o relógio?

No fim de semana acaba o horário de verão, seulindo! Meia noite volta a ser 23h. Os relógios aqui da redação já se adiantaram.
Adiantaram mesmo, mais uma hora.
Ou seja, ao invés de voltar ao horário convencional, agora estamos duas horas adiantados.
Esquizofrênico assim.

05 fevereiro 2011

luz no fim do dia

É fácil negar o que se sente para si mesmo e para os outros durante todo o dia.
À noite a farsa acaba.

E é por isso que eu não tenho mais insônia.
Eu não nego mais.

30 janeiro 2011

Sofia em Hollywood



Não sei dizer o real motivo de ser apaixonada pelos filmes da Sofia Coppola.
Talvez porque eles falem sempre de sentimentos que não cabem em palavras.
Cenas longas e vazias. Com uma trilha sonora sempre a confirmar que é isso mesmo. Não tem jeito

Entendi perfeitamente minha identificação com Lost in Translation.
Estava eu, não em Tokio, mas em São Paulo, na mesma situação da deslumbrante Scarlett Johansson.
Casada, numa cidade cheia de acontecimentos e convites e lugares e luzes. E sozinha.
O cenário era de que tudo poderia acontecer. E nada acontecia.
Eu, além disso, menos diva e sem Bill Murray.

Mas Somewhere nada tem a ver com minha vida. E tudo tem a ver.
Sofia joga na nossa cara exatamente aquele nada que somos em qualquer circunstância. Aquele pouco caso que fazemos de que o que queríamos mesmo era ter uma vida convencional. Dessas de se namorar, andar de mãos dadas. Casar. Cuidar de alguém. Ser cuidado. Quem sabe ter um filho e tomar chá com ele no fundo da piscina.
E isso não impede que nossa trilha sonora seja Strokes e Foo Fighters. É o básico sem ser careta.
Seja onde for.

27 janeiro 2011

homenagem à cidade que eu vivo e amo

Uma grande amiga me falou uma coisa esses dias, junto com mais um monte de coisas que ela fala e ri e gesticula (e eu adoro essa maneira inteira dela ser).
Ela  me disse que atraímos as pessoas de acordo com nosso estado de espírito.
"Eu só atraio gente bonita, Ju" (e ela estava falando de estética).
E eu nunca tinha visto a vida assim, por esse ângulo.
Pensei que não invadimos a vida de ninguém. Simplesmente são aquelas pessoas que representam quem você é naquele momento. Somos espelhos dos outros.
Alguns ficam. Duram anos. Tem gente que vai embora.
Outras encontramos ao acaso, transformadas. O nosso avesso.
Mudaram? Mudamos?
Não importa. A vida segue.

A cidade é seca. É blasé. E é fascinante.
São Paulo buzina nos seu ouvidos que você precisa trabalhar, precisa conhecer aquela galeria, aquele bar, aquele lugar, precisa ter as coisas!

Porque é isso, se você a quer, ela te evita. Se você evita, ela te pega.
São Paulo is my love.

16 janeiro 2011

Desilusão segundo C.L.

Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. Voltei a ter apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e assusta. Era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.

A idéia que eu fazia de pessoa vinha da minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? Estarei mais livre?

Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. Mas por que não me deixo guiar pelo que for me acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.

Sei que precisarei tomar cuidado para não usar uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de "uma verdade".

15 janeiro 2011

Disseram que ela não vinha...

Eu também duvidei. Mas ela veio.

E enquanto Amy estiver em solo brasileiro vai ter jornalista de merda dizendo: 'Amy com peito de fora', 'Amy xingou fã', 'Amy bebeu um martini', 'Amy bebeu uma cerveja'...

E eu digo jornalista de merda porque sei, com conhecimento de causa, que até em revista de fofoca pode-se ter dignidade.

Mas o que acontece é que Amy foi o grande acontecimento musical da última década. E não tem bandinha indie, algumas que eu até gosto muito, e nem bandinha pop que desbanque isso.

Amy tem um puta talento. Talento reconhecido por público e crítica.

Ela pode ser excêntrica, perturbada, viciada, doida, alucinada. Agora me responde: quantas pessoas que você conhece que são exatamente isso e não desenvolveram um décimo do talento que ela tem?

Acontece que não se chuta cachorro morto. Se tem muita gente deixando a pele e o corpo horríveis em função de vícios, isso não interessa a ninguém.

Mas se é alguém com letras autobiográficas, com um senso musical incrível, com uma voz fabulosa, e que estorou nós últimos anos, tem quem se interesse.
 Amy veio. Está bebendo água. Terminando os shows. E quem se importa se em alguns momentos quem assume os vocais são os backing vocals. Eu não.

Pois se você se importa, não vá ao show. Se guarde para o show do U2, do Iron Maiden, do Ozzy Osbourne, do Roxette.
O que não faltam são shows em São Paulo esse ano. E o que não faltaram foram notícias de Amy nos últimos dois anos mostrando exatamente como ela é e do mal que sofre.

Já escrevi uma vez isso: não deve ser fácil ser brilhante. Porque ser mais um já é tão difícil.
Por isso não condeno Amy. Mesmo fazendo músicas em estilo mais reggae (e eu ODEIO reggae) ela continua foda. Então, é mais fácil dizer: 'ela é uma viciada'.

Ser viciada por ser mais um é sinal de fraqueza. Ser viciada por ser brilhante é sinal de que ela é humana.
Que Amy se salve.

Amém.

09 janeiro 2011

MOOD

Não precisamos estar felizes para experimentar um instante de leveza. Em vez de mostrar alegria quando não há motivo algum para isso, dê-se uma pausa. Não force um sorriso. Em vez disso, olhe em volta e enxergue de verdade o que vê. Observar pessoas pode por fim à tristeza mais rapidamente que tomar um remédio. A joie de vivre, afinal, foi inventada pelo mesmo povo que nos deu a moda básica e os cafés ao ar livre.

(Veronique Vienne, em A arte de viver o momento)

Você só precisa ser leve e forte.

07 janeiro 2011

Machista, eu?

O mundo ainda é machista? Claro que é. E numas coisas que não deveria ser, mas é.

Homem de bengala = charme
Mulher de bengala = manca

Homem grisalho = charme
Mulher grisalha = relaxada

Homem com rugas ao sorrir = charme
Mulher com rugas ao sorrir = pés de galinha

Homem com barriga = fora de forma
Mulher com barriga = gorda

O mínimo que o homem deve fazer é pagar a conta, carregar às malas, ser cavalheiro.
Só falta me chamarem de machista...

03 janeiro 2011

olhar estrangeiro



Nunca me importei de não ter a sensação de pertencimento.
E eu não pertenço a nenhum grupo de amigos, a nenhuma religião, a nenhuma cidade, a nenhuma seita ou filosofia.
Não sou rata de praia, nem de academia. Corro sem ser maratonista. Leio sem ser intelectual.
Faço parte do mundo. É pouco?

Não me importo de viajar sozinha, almoçar sozinha, beber um drink sozinha. Ficar sozinha mesmo.
Estar só é falar menos e observar mais. Observar me ensina.
A questão não é só essa. É poder manter meu olhar estrangeiro nos grupos formados.
Gosto de verdade de não pertencer pra não ter o maior problema em deixar o lugar, qualquer lugar.
Ir embora sem grandes despedidas sabendo que pra onde quer que eu for meu olhar não terá vícios.

Vez ou outra admiro e até invejo a cumplicidade dos grupos. Daí, logo me entedio.