05 novembro 2014

selfie da vida real

Eu sempre gostei de redes sociais. Sempre tive blog. Sempre gostei de me expor.
De verdade. Não tenho qualquer pudor em assumir isso.
Mas sempre tive o maior cuidado em mostrar a minha "felicidade conjugal" na internet.

Está certo que esse cuidado foi deixado de lado quando engravidei.
Extrapolei mesmo. Hormônios. Atire a primeira pedra quem nunca cedeu a eles?

Mas esse "cuidado" em tom de preservação, está longe de ser "medo dos invejosos". É uma precaução de quem não acredita em vida perfeita na foto. A rede serve sim como um diário de eventos. Mas esnobar felicidade e paixão mútua nunca me soou natural. Porque considero a paixão algo tão delicado e precioso que ostentá-la me parece atrevimento. Além disso, me sentiria quase que na obrigação de publicar, em contraponto, a minha cara suja de maquiagem no fim de uma noite triste e mal amada.

Por quê?
Sei lá. Quem já leu esse blog sabe que se tem algo que não tenho o menor problema em assumir é que sofro, sofro mesmo, como qualquer ser humano. E, confesso, na maioria das vezes, por motivos banais. Como a maioria das mulheres.

Para provar isso, publiquei essa foto em PB, sozinha, sem maquiagem e muito feliz obrigada.





30 maio 2014

que seja belo enquanto dure



Cada momento pode ser interpretado como um breve intervalo entre o que era e o que está por vir.
Quando estamos desesperados, abandonados, chateados, desorientados... não percebemos que este pode ser aquele momento único. Esquecemos de olhar pro lado.
Não enxergamos a chaleira que chia no fogão, nem a beleza de uma flor dentro de uma garrafa...

Agora a pouco percebi algumas coisas que gosto tanto:
uma mensagem fofa no celular
um livro todo sublinhado
unhas vermelhas

Khalil Gibran já diria: "Vivemos pra descobrir a beleza/ Todo o resto é uma forma de espera"

Pra que esperar, então?
Não se iluda. Não é preciso atravessar o oceano para ver beleza nas pequenas coisas.
A beleza está no nosso olhar. Bem perto.


12 maio 2014

Sobre aquilo que você consegue controlar

Controlar a dieta é fácil, o desespero por um chocolate, a vontade de negrinho de colher, só mais um pedaço de picanha...
Controlar os exercícios semanais? Consegue. Vai, mais um dia. Só por hoje essa corrida. Mais uma postura de yoga, segura por mais tempo. FORÇA!
Até meditar a gente consegue. Fecha o olho. Lembra do mantra. Pensamentos. Medita aí.
A relação a gente controla. Conversa um pouco, esquece outro pouco, passa um tempo em silêncio. A gente se entende no fim das contas, no fim do dia, no fim do mês ou no começo do outro.
Dá pra controlar a convivência? Claro. Fica mais um pouco.
A gente controla a saudade da família, dos amigos, daqueles que nunca mais viu e talvez não veja tão cedo.
A gente controla os imprevistos do trabalho, as roubadas do dia a dia, as horas extras... as crises, os desafetos....
Controlamos o sono, a disciplina do novo filho, as mamadas, os refluxos, as manhas...
Controla o álccol! Quem diria. Mais uma taça? Não, obrigada.

Só tem uma coisa que a gente não controla: OS HORMÔNIOS.



26 março 2014

Menos é muito mais ((9 meses))

(escrito dia 18/01/2014)

Me adaptando a viver num tempo fora do relógio percebo aquilo que realmente importa. Os últimos 3 anos foram os mais felizes da minha vida, o que não significa que não houveram tempos difíceis dentro dele.



Na ansiedade da espera consigo perceber o que realmente importa. O que realmente busco com uma vida dentro de mim.

Queria poder passar para essa vida que tem tanto de mim dentro dela, o quanto viver com menos é viver mais e melhor. O quanto qualidade é infinitamente melhor que quantidade. E o quanto nossa sanidade, serenidade e plenitude depende disso.

Pensar nisso me acalma. Acompanho o fim do dia e abstraio o barulho dos carros de janeiro. Ele é menor mas existe.

Penso por quê queria tanto ter um filho. Por que quero alguém com meus genes, manias e birras...
E eis que a resposta surge na meditação deste fim de tarde de segunda. Para conseguir passar o que aprendi nos meus anos de vida.

Conseguir puxar, ainda que aos poucos, minha cria dessa orgia do consumo exacerbado. Ensinar ele a respirar,  a manter o corpo em movimento, a se alimentar de forma mais saudável e menos americanizada. A comprar menos, a comer menos, a beber menos...
Ser e ter menos é mais.

Serenidade.

Esse sentimento é luxo nos dias de hoje. Em que a maioria das crianças sofrem de hiperatividade e, consequentemente, de insatisfação permanente.

Eu diria:

"Meu filho, você não precisa ter tudo. E nem saber tudo. Você só precisa ter dedicação e foco. Escolher um caminho e seguir nele. Claro que pode mudar de ideia. Mas a sua vontade tem que ser maior que sua habilidade. A habilidade pode gerar excesso de confiança, o que pode fazer você esquecer o quanto é importante não perdermos a humildade.

Pode ser difícil de acreditar, mas menos é muito mais.

Com o menos você consegue criar momentos valiosos. Sua vida é mais simples, e todos sabemos que é preciso trabalhar duro para ter acesso à simplicidade.

Portanto, não se iluda com o mundo de consumo que te cerca, onde as pessoas pensam mais em ter do que em ser. Ele é raso. É ilusório. E forma adultos vazios que vivem pagando prestações, fazendo dietas da moda e correndo para alcançar o vento. O real está dentro de ti. A força está naquilo que você é, e não naquilo que você tem. E, por favor, não confunda desapego com o papo riponga de pessoas que passam a vida toda às custas dos pais. Conquiste suas próprias coisas, mas não fique escravo delas.
Se eu conseguir passar esse único aprendizado pra ti, meu filho, já me sinto vitoriosa."

Pode vir, Joaquim.

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