http://02neuronio.zip.net/arch2009-05-24_2009-05-30.html
A Beta chegou em casa dizendo que tinha lido um post da Nina Lemos no O2 Neurônio que era a minha cara.
Eu adoro a Nina e ela é do meu mundo.
Explico: corta cabelo no mesmo lugar do que eu, não curte festas de grife, vai ao Studio SP desde quando era aqui na Vila e sabe escrever um bom texto.
Então não preciso fazer um esforço extra.
O lance é que ler esse texto dá um certo alívio.
Muitas vezes tenho a tendência a me achar preconceituosa. Mas, não! Nina me alertou.
É normal minha dificuldade em ter afinidades com pessoas que moram com os pais, ou ainda, que moram no Morumbi, aqui em SP, ou na Barra da Tijuca, no Rio. Simplesmente não se tem assunto.
E Nina me deixou melhor: isso não é preconceito, é afinidade.
Não é que eu não goste de gente rica. Até gosto.
O lance é que prefiro gente rica que faz escolhas mais legais.
Não é que eu não goste de grife ou de festas com "artistas".
Não gosto da "festa" da grife e nem de "artista" ou "celebridade" que não faz arte alguma, ou seja, é considerado artista porque aparece na TV.
Gosto de festinhas pequenas e legais.
Aqui em São Paulo, por exemplo, já tenho o meu roteiro e grupo de amigos sensacionais.
Já falei pro meu namorado: odeio festa a fantasia, da peruca, do rock, ou do que for.
Pode ir sozinho ou com amigos.
Obrigada Beta. Obrigada Nina.
Me sinto melhor depois desse post.
30 maio 2009
18 maio 2009
a boa filha a casa torna
Depois de três noites e quatro dias, Kate voltou.
Eis que toca meu telefone e eu saio exasperada até o boteco em que "Sérgio" tomava uma Skol e disse:
"Sua gata está lá na minha oficina."
Corremos até lá e eis que adentrando o recinto já ouço um miado estridente.
Ele ascende a luz e kate surge com uma cara do tipo: "Por que tu demorou tanto?"
Toda suja de graxa e com um budum desgraçado, a felina era pura ansiedade ao chegar em casa: ora miava, ora comia, ora fazia cocô na caixinha.
Tipo, era muita saudade de casa naquele corpo.
Depois ela dormiu no meu colo e eu deitei ela do lado do seu leão de pelúcia.
Eita canseira, hein Kate?
Eis que toca meu telefone e eu saio exasperada até o boteco em que "Sérgio" tomava uma Skol e disse:
"Sua gata está lá na minha oficina."
Corremos até lá e eis que adentrando o recinto já ouço um miado estridente.
Ele ascende a luz e kate surge com uma cara do tipo: "Por que tu demorou tanto?"
Toda suja de graxa e com um budum desgraçado, a felina era pura ansiedade ao chegar em casa: ora miava, ora comia, ora fazia cocô na caixinha.
Tipo, era muita saudade de casa naquele corpo.
Depois ela dormiu no meu colo e eu deitei ela do lado do seu leão de pelúcia.
Eita canseira, hein Kate?
17 maio 2009
Enquanto escrevo
Sim. Sou uma pessoa que aprecia o estar sozinha.
Da mesma forma que sinto compaixão por aqueles que mesmo em companhia de alguém ou de muitos vivem na mais profunda solidão.
Eu gosto de gatos e de xícaras grandes de chá ao meu lado enquanto escrevo.
Da mesma forma que sinto compaixão por aqueles que mesmo em companhia de alguém ou de muitos vivem na mais profunda solidão.
Eu gosto de gatos e de xícaras grandes de chá ao meu lado enquanto escrevo.
Gosto de pensar que a Kate é como eu. Uma gata sem medo de nada.
Que anda pela cidade a qualquer hora.
Kate não tem "medinho" de São Paulo.
Ela tem passos largos. Tem ousadia em seus saltos.
Gosta do desconhecido porque sabe que só sabemos até onde podemos ir se formos.
Kate não está interessada em tirar um monte de fotos e fingir intimidade com qualquer um que lhe apareça na frente.
Porque ela sabe que intimidade ela tem com quem reconhece de longe.
Kate não quer fingir ter uma vida feliz. Ela está feliz ou não.
E quando acha a vida meio monótona ela resolve mudar e...
vai dar seus saltos por aí.
Se ela não cria raízes?
Sim, as cria.
Kate não quer fingir ter uma vida feliz. Ela está feliz ou não.
E quando acha a vida meio monótona ela resolve mudar e...
vai dar seus saltos por aí.
Se ela não cria raízes?
Sim, as cria.
Raízes não exigem de ninguém que este finque seus pés no mesmo lugar.
Nem as raízes são estáticas, ou seguem seu caminho em linha reta.
Não posso cobrar que Kate aja de maneira correta na vida.
Não posso cobrar que Kate aja de maneira correta na vida.
Ou, ainda, que ela faça sempre a coisa certa.
Não. Sou imperfeita demais para exigir uma coisa dessas.
Kate é corajosa. E por pior que sejam as infelicidades que enfrente mundo afora, ela foi, e é uma das criaturas mais fantásticas que conheço.
E apesar de saber de tudo isso. Quero ela de volta a cada minuto.
A cada virada de chave quando chego em casa.
Não. Sou imperfeita demais para exigir uma coisa dessas.
Kate é corajosa. E por pior que sejam as infelicidades que enfrente mundo afora, ela foi, e é uma das criaturas mais fantásticas que conheço.
E apesar de saber de tudo isso. Quero ela de volta a cada minuto.
A cada virada de chave quando chego em casa.
A cada vez que não preciso limpar sua caixa ou colocar comida para ela.
Eu quero ela de volta quando vou dormir e também miando às cinco da manhã, suplicando para entrar no quarto.
Quero ela de volta, aqui comigo, enquanto escrevo.
Eu quero ela de volta quando vou dormir e também miando às cinco da manhã, suplicando para entrar no quarto.
Quero ela de volta, aqui comigo, enquanto escrevo.
09 maio 2009
La Raison Baroque
05 maio 2009
CALIGRAFIA na Choque Cultural


Te levanta dessa cama, desse sofá. Do que for.
Tem arte te chamando.
Sai da frente desse computador! Já faz algum tempo que ele não te traz amor ou felicidade!
Vai dar uma olhada porque tem gente criando, produzindo e acreditando no que faz. E o melhor, fazendo bem feito. Quem sabe tu te inspira?
Não a fazer arte. Isso é para poucos. A fazer qualquer coisa produtiva da vida além de trabalhar para pagar as contas.
Tem arte te chamando.
Sai da frente desse computador! Já faz algum tempo que ele não te traz amor ou felicidade!
Vai dar uma olhada porque tem gente criando, produzindo e acreditando no que faz. E o melhor, fazendo bem feito. Quem sabe tu te inspira?
Não a fazer arte. Isso é para poucos. A fazer qualquer coisa produtiva da vida além de trabalhar para pagar as contas.
A exposição Caligrafia é um tributo da Choque Cultural a todas as letras de todas as línguas impressas, manuscritas, desenhadas, pintadas, esculpidas, fotografadas, clássicas, modernas, contemporâneas, populares, eruditas ou experimentais.
Vai até dia 27 de junho. Porém, vai agora. Se deixar para junho nós sabemos que não irá.
02 maio 2009
dependências tecnológicas
Perdi a bateria do meu celular.
O Rodrigo tá em Juquehy e ficou tentando me ligar 469 vezes.
Ok,eu faria a mesma coisa.
A Beta e o Caco tem um sono semelhante, ou melhor, uma insôna semelhante: dormem pouquíssimo, de forma picada e ainda conseguem ficar muito alegres.
Vouter que me casar com alguém que, como eu, durma muito, 8 a 10horas seguidas, sem interrupções, e só consiga ser feliz dessa forma...
Talvez o Rô. Porém, my love tá na praia, puto da vida, e com razão, porque liga e cai na caixa. Existe coisa mais irritante?
Ok.
Vou levantar.
Embora minha vontade fosse dormir mias umas 3 horas no mínimo.
Comprar outra bateria.
Porém, primeiro vou na academia.
Isso o Rô entende.
O Rodrigo tá em Juquehy e ficou tentando me ligar 469 vezes.
Ok,eu faria a mesma coisa.
A Beta e o Caco tem um sono semelhante, ou melhor, uma insôna semelhante: dormem pouquíssimo, de forma picada e ainda conseguem ficar muito alegres.
Vouter que me casar com alguém que, como eu, durma muito, 8 a 10horas seguidas, sem interrupções, e só consiga ser feliz dessa forma...
Talvez o Rô. Porém, my love tá na praia, puto da vida, e com razão, porque liga e cai na caixa. Existe coisa mais irritante?
Ok.
Vou levantar.
Embora minha vontade fosse dormir mias umas 3 horas no mínimo.
Comprar outra bateria.
Porém, primeiro vou na academia.
Isso o Rô entende.
01 maio 2009
Para quem anda distribuindo mágoas por aí...
O fraco jamais perdoa: o perdão é uma característica dos fortes.
palavras de Gandhi
palavras de Gandhi
30 abril 2009
msn express - sommelier time
ju menz diz:
tô com um vinho chileno e um uruguaio aqui
qual abro?
C. Pont diz:
mas é o q? é bom?
o uruguaio
ju menz diz:
sério????
C. Pont diz:
tomar vinho chileno sozinha nunca bate bem
muito fortes
aliás, essa frase tu pode publicar no blógue
ju menz diz:
o chileno é um casillero del diablo safra 2007
C. Pont diz:
tomar vinho chileno sozinha nunca bate bem
ju menz diz:
pode deixar
C. Pont diz:
por experiência própria
guarda esse chileno, amiga, tu vai precisar dele em alguma outra ocasião
ju menz diz:
o uruguaio é um tannat varietal reserva
C. Pont diz:
ó te mo
adstringente
mais baratinho
não bate tanto
ju menz diz:
pois é
pensei agora....
C. Pont diz:
tu vai ficar com sede e vai beber uma aguinha junto
e vai dormir melhor
a guria sabe tudo
ju menz diz:
já tomei tantos chilenos syrah sólita
C. Pont diz:
chileno tem que ser carmenere ou cabernet
ju menz diz:
feliz! feliz!
C. Pont diz:
syrah só se for um vinho muiiiito caro e bom
ju menz diz:
entendi
ai, que bom te ter de amiga
C. Pont diz:
porque chileno syrah baratinho assim de 12 14 pilas não é bom
ju menz diz:
aprendo tanto ...12 14 pilas só em Porto, baby....estou em Sampa
C. Pont diz:
é sempre assim, né?
argentino, malbec
uruguaio tem que ser tannat
ju menz diz:
OLHA!
tu sabe muito amiga
C. Pont diz:
e os chilenos carmenere (principalmente os mais novos, as novas safras de carmenere chilenos são muito boas)
ju menz diz:
vai te apavorar com minha adega
C. Pont diz:
e cabernet sauvignon
huhuhuhuhuhuh
ju menz diz:
pronto
abri o uruguayo
C. Pont diz:
isso amigaaaaa
ju menz diz:
minha gata tá linda
fica andando só em duas patas pra se exibir
C. Pont diz:
lindaaaaaaaaaaa
kate
aqui são as 4
o eduardo e um monte de hormonio feminino ao redor
ju menz diz:
HAHAHA
que ótemo
C. Pont diz:
tÔ com inveja do teu vino
a gente começou a tomar ceva
mas que queri memso um vino
agora não vou misturar
a adega tá linda tbm
e a gente fez a adega num móvel antigo da minha avó
com uma portinha de vidro
ficou lindooooo
adoro ir ali e escolher o vino da noite
ju menz diz:
ai, que bom
meu sonho
O sonho.
não tem climatizador?
C. Pont diz:
aí tu já quer demais
mas tá numa parede estratégica
ju menz diz:
HAHAHAHAHAHAH
C. Pont diz:
no meio da casa onde é fresquinho e não bate sol
ju menz diz:
claro
C. Pont diz:
e é longe do fogão
ju menz diz:
já tem o clima ideal
nunca tive tantos vinhos
C. Pont diz:
mas a gente sempre dá uma geladinha no vino antes
ju menz diz:
BOA
C. Pont diz:
esses dias tinha 8 garrafas na adega
não é necessa´rio dizer que não temos mais nenhuma
aiiii vou te dar de presente um troço ótimo que a gente ganhou
são duas rolhas plásticas com um bombeador de ar
pra vedar a garrafa se tu não bebeu o vinho até o fim
e guardar
dá pra guardar vino, champagne e dura uns dias aberto
é um sonho
ju menz diz:
que delícia
(aquelas que sempre toma até o fim...)
C. Pont diz:
aham
pior
eu escrevi e fiquei pensando que a gente usa tri pouco
hahahhahaha
mas já rolou de abrir vinho meio ruim
aí fechar
tô com um vinho chileno e um uruguaio aqui
qual abro?
C. Pont diz:
mas é o q? é bom?
o uruguaio
ju menz diz:
sério????
C. Pont diz:
tomar vinho chileno sozinha nunca bate bem
muito fortes
aliás, essa frase tu pode publicar no blógue
ju menz diz:
o chileno é um casillero del diablo safra 2007
C. Pont diz:
tomar vinho chileno sozinha nunca bate bem
ju menz diz:
pode deixar
C. Pont diz:
por experiência própria
guarda esse chileno, amiga, tu vai precisar dele em alguma outra ocasião
ju menz diz:
o uruguaio é um tannat varietal reserva
C. Pont diz:
ó te mo
adstringente
mais baratinho
não bate tanto
ju menz diz:
pois é
pensei agora....
C. Pont diz:
tu vai ficar com sede e vai beber uma aguinha junto
e vai dormir melhor
a guria sabe tudo
ju menz diz:
já tomei tantos chilenos syrah sólita
C. Pont diz:
chileno tem que ser carmenere ou cabernet
ju menz diz:
feliz! feliz!
C. Pont diz:
syrah só se for um vinho muiiiito caro e bom
ju menz diz:
entendi
ai, que bom te ter de amiga
C. Pont diz:
porque chileno syrah baratinho assim de 12 14 pilas não é bom
ju menz diz:
aprendo tanto ...12 14 pilas só em Porto, baby....estou em Sampa
C. Pont diz:
é sempre assim, né?
argentino, malbec
uruguaio tem que ser tannat
ju menz diz:
OLHA!
tu sabe muito amiga
C. Pont diz:
e os chilenos carmenere (principalmente os mais novos, as novas safras de carmenere chilenos são muito boas)
ju menz diz:
vai te apavorar com minha adega
C. Pont diz:
e cabernet sauvignon
huhuhuhuhuhuh
ju menz diz:
pronto
abri o uruguayo
C. Pont diz:
isso amigaaaaa
ju menz diz:
minha gata tá linda
fica andando só em duas patas pra se exibir
C. Pont diz:
lindaaaaaaaaaaa
kate
aqui são as 4
o eduardo e um monte de hormonio feminino ao redor
ju menz diz:
HAHAHA
que ótemo
C. Pont diz:
tÔ com inveja do teu vino
a gente começou a tomar ceva
mas que queri memso um vino
agora não vou misturar
a adega tá linda tbm
e a gente fez a adega num móvel antigo da minha avó
com uma portinha de vidro
ficou lindooooo
adoro ir ali e escolher o vino da noite
ju menz diz:
ai, que bom
meu sonho
O sonho.
não tem climatizador?
C. Pont diz:
aí tu já quer demais
mas tá numa parede estratégica
ju menz diz:
HAHAHAHAHAHAH
C. Pont diz:
no meio da casa onde é fresquinho e não bate sol
ju menz diz:
claro
C. Pont diz:
e é longe do fogão
ju menz diz:
já tem o clima ideal
nunca tive tantos vinhos
C. Pont diz:
mas a gente sempre dá uma geladinha no vino antes
ju menz diz:
BOA
C. Pont diz:
esses dias tinha 8 garrafas na adega
não é necessa´rio dizer que não temos mais nenhuma
aiiii vou te dar de presente um troço ótimo que a gente ganhou
são duas rolhas plásticas com um bombeador de ar
pra vedar a garrafa se tu não bebeu o vinho até o fim
e guardar
dá pra guardar vino, champagne e dura uns dias aberto
é um sonho
ju menz diz:
que delícia
(aquelas que sempre toma até o fim...)
C. Pont diz:
aham
pior
eu escrevi e fiquei pensando que a gente usa tri pouco
hahahhahaha
mas já rolou de abrir vinho meio ruim
aí fechar
27 abril 2009
o problema é que o amor não acaba
resposta de Marcelo Rubens Paiva, ou seja, TEXTO DELE!!
O amor acaba? O cara disse.
Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia.
Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce?
Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada.
Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido...
Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado?
Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças.
Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos...
No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”.
Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou.
O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito.
O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz.
Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou.
Passei meses amando como se não tivesse acabado.
Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda.
O amor não será, é. O amor está. Foi.
Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus.
Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor.
Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você?
Amo-te, amo-te, amo-te.
Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo!
O amor acabou quando você se foi?
Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba?
Diz que acaba. Como acaba? Não acaba.
Diz, não acaba.
Repete.
Falei? Não acaba.
Pode virar amor não-correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor.
Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba.
Vira.
Se acabar, não era amor.
O amor acaba? O cara disse.
Numa esquina, num domingo, depois do teatro e do silêncio, na insônia, nas sorveterias, como se lhe faltasse energia.
Ele não volta? Não deixa rastro ou renasce?
Na esquina em que se beijaram uma vez, lá está, na sombra apagada pela luz, na poeira suspensa, na revolta da memória inconformada.
Na solidão, lá vem ele, volta, com lamento, um quase desespero, e penso nos planos perdidos, que vida sem sentido...
Na insônia, o amor cai como uma tonelada de lápide, e se eu tivesse feito diferente, e se eu tivesse sido paciente, e se eu tivesse insistido, suportado, indicado, transformado, reagido, escutado, abraçado?
Na sorveteria, ele volta, o amor, em lembranças.
Porque aquele sabor era o preferido dela, aquela cobertura era a preferida dela, aquela sorveteria era a preferida dela, aquela esquina, aquele bairro, aquele clima, aquela lua, aquele mês, aquela temperatura, aquela raça de cachorro, aquele programa de fim de tarde e aquele horário sem planos...
No elevador, quantas saudades daqueles segundos em silêncio, presos na caixa blindada, vigiados por câmeras camufladas, loucos para se agarrarem, rirem, apertarem todos os botões, tirarem a roupa, escreverem ao lado do Atlasado: “Eu te amo”.
Saudades é amor. Não se tem saudades do que não se amou.
O amor não acaba, porque tenho saudades, me lembro dela, me preocupo com ela, torço por ela, e se sonho com ela, meu dia está feito.
O amor não pode acabar, porque sem ela ou sem a esperança de revê-la, até a chance de tê-la de volta, não vejo a paz.
Ela é uma trégua na minha guerra pessoal contra a minha paixão por ela. Amá-la me faz bem. Mesmo que ela não me ame, amo amá-la. Continuei amando desde o dia em que terminou.
Passei meses amando como se não tivesse acabado.
Ficaria anos amando mesmo se não tivesse voltado. O amor não acaba, muda.
O amor não será, é. O amor está. Foi.
Nas tantas músicas que ouvimos, que dançamos colados, trilhas das noites frias em que você sentava em mim nua, enquanto os meus braços imobilizavam os seus.
Amor. O não-amor é o vazio. O antiamor também é amor.
Eu te amava quando você respirava no meu ouvido. Lembra do meu dedo dentro de você?
Amo-te, amo-te, amo-te.
Instante secreto, sua boca incha, seus olhos apertam, suas unhas me arranham e você diz: Eu te amo!
O amor acabou quando você se foi?
Você sentiu saudades das minhas paredes, das cores das minhas camisas, da umidade da minha boca, do cheirinho do meu travesseiro, da minha torrada com mel, das noites pelados assistindo à tevê, dos vinhos entornados no lençol, do café da manhã com jornal, você sentiu falta de atravessar a avenida comigo de mãos dadas, de correr da chuva, de eu te indicar um livro, do cinema gelado em que vimos o filme sem fim, torcendo para acabar logo e ficarmos a sós, você sentiu falta da minha risada, inconveniência, de eu ser seu amante, noivo, amigo e marido, dos meus olhos te espiando, dos meus dentes mordendo e mastigando, ficou tanto tempo longe e pensou em nós especialmente bêbada ou louca, queria me ligar, me escrever, meu cheiro aparecia de repente, meu vulto estava sempre ali, acaba?
Diz que acaba. Como acaba? Não acaba.
Diz, não acaba.
Repete.
Falei? Não acaba.
Pode virar amor não-correspondido. Pode ser amor com ódio, paixão com amor.
Tem o amor e o nada. Ah, mais uma coisa. Antes que eu me esqueça. O amor não acaba.
Vira.
Se acabar, não era amor.
23 abril 2009
cheguei no ponto no mesmo horário
talvez um pouco mais cedo
estava incompreensivelmente vazio
havia apenas um neguinho
olhei para ele que, percebendo a invasão retornou o olhar
como quem diz: "qual é dona?"
devia ter uns dez anos e ouvia música em seu mp3
fechou os olhos lentamente e voltou a olhar para o infinito
de onde viria o ônibus
"neguinho metido", pensei
o ônibus chega
ele se dirige para porta e para minha surpresa espera eu entrar
entro, pago e tenho quase certeza que por seu tamanho ele passara por baixo da catraca
ele, com tamanho estilo, paga com seu bilhete único
eu sorrio e penso:
"esse neguinho vai ser alguém na vida"
Não sei se jogador de futebol, vocalista de banda de pagode ou presidente dos Estados Unidos.
Mas, esse neguinho vai ser alguém na vida.
talvez um pouco mais cedo
estava incompreensivelmente vazio
havia apenas um neguinho
olhei para ele que, percebendo a invasão retornou o olhar
como quem diz: "qual é dona?"
devia ter uns dez anos e ouvia música em seu mp3
fechou os olhos lentamente e voltou a olhar para o infinito
de onde viria o ônibus
"neguinho metido", pensei
o ônibus chega
ele se dirige para porta e para minha surpresa espera eu entrar
entro, pago e tenho quase certeza que por seu tamanho ele passara por baixo da catraca
ele, com tamanho estilo, paga com seu bilhete único
eu sorrio e penso:
"esse neguinho vai ser alguém na vida"
Não sei se jogador de futebol, vocalista de banda de pagode ou presidente dos Estados Unidos.
Mas, esse neguinho vai ser alguém na vida.
eu não te amo mais
andando pela tarde pude perceber que não mudaria muita coisa em minha vida te ter ou não
foi com um soluço que notei tal sentimento
mas o soluço não era de choro
não havia tristeza em meu olhar
não havia mágoa ou ressentimento
...
e até queria ficar aqui na praia mais um instante a apreciar o tédio das ondas infinitas
meu olhar está límpido
só quero pegar meu casaco
não preciso pegar tudo
não preciso pegar nada
talvez te esperar para um abraço
e até dançar Green Eyes, do Coldplay
eu pensei nunca ir embora
o problema é que eu já fui
foi com um soluço que notei tal sentimento
mas o soluço não era de choro
não havia tristeza em meu olhar
não havia mágoa ou ressentimento
...
e até queria ficar aqui na praia mais um instante a apreciar o tédio das ondas infinitas
meu olhar está límpido
só quero pegar meu casaco
não preciso pegar tudo
não preciso pegar nada
talvez te esperar para um abraço
e até dançar Green Eyes, do Coldplay
eu pensei nunca ir embora
o problema é que eu já fui
19 abril 2009
Um Abraço

como encontrar pessoas?
twitter
facebook
o obsoleto orkut
blogs
álbuns
infinitas são as maneiras de procura.
Alguém diz:
-PÔ, nunca mais te vi!
Não viu porque não quis. Porque não procurou. Porque não fez questão.
Ninguém mais está a salvo.
E se estiver é porque foi esquecido.
Seja pelo romantismo do passado, que enviava cartas, adestrava pombos correio e lançava garrafas ao mar, sempre é possível dizer o que ainda não foi dito. O que faltou.
Quando verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha.
Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for.
Porque todos, todos temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada pelos demais.
13 abril 2009
Idéias paternas

Meu pai acordou hoje com ideias David Lynch, ou seja, nada é o que parece.
- Esse chocolate, que "vende uma barbaridade" é tudo falsificado!
- Eu sei pai. O Caco, que mora comigo, fez uma matéria para Veja no ano passado. É tudo gordura vegetal hidrogenada.
- Eles desmancham tudo (!!?) e depois fazem isso. Por isso fica assim.
- Pois é...
Surge um ar de acusação por parte de meu pai:
- E vocês comem!
- Olha, pai, na verdade... - faltaram-me forças - eu como mesmo.
Vai que ele resolve falar da cerveja que bebi ontem à noite. Meu pai anda muito saudável. Não comete unzinho excesso. Acaba faltando cumplicidade comigo, uma pobre mortal.
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