04 abril 2010

Sobre o amor


E há também o desamor, além do medo de amar.
Mas o primeiro é ainda mais grave, acredito.
O gostar daqueles que desvalorizam a sua pessoa.
O desejo de ser sem importância.

O desamor vem da ausência de afeto, mas também vem de seu excesso.
Se tem algo que nunca me excitou foi ser desvalorizada por alguém.
Daí fico sozinha com meus monstros. Que não são poucos, acredite.
Daí subo no telhado vizinho com Kate e encaro o fim de tarde como o único companheiro que me resta.

E vejo tantos e tantas em busca do desamor que tenho vontade de gritar.
E não grito.
Vontade de mostrar o caminho.
E não mostro.
A vontade deve ser alheia. A vontade tem que vir de si.
Ou o desamor não finda.
Ou o desamor se instala.

22 março 2010

Para leigos no assunto como eu

Minha bebida é a cerveja. E quando faz um frio do tipo que tem feito na capital, eu abro uma exceção para o vinho. E vou dizer que abro uma garrafa como poucas. "Uma mulher deve saber abrir uma garrafa de vinho sem precisar da ajuda de um homem", diria minha grande amiga Clarissa. Eu concordo, não apenas de vinho, mas de champanhe também. E sem estrondos, please.

E convenhamos, temos vinhos extremamente acessíveis e deliciosos, como os produzidos na região de Mendoza, na Argentina.
Participando de uma degustação sobre os Malbec dessa área, percebi que o vinho mais caro não é necessariamente o mais gostoso.
Pra quem como eu não sabia, Malbec, uva de origem francesa, é a principal uva da Argentina, sendo Mendoza a maior região produtora, responsável por 85% dos vinhos de qualidade do país.

Começamos com o Argento Malbec 2008
Um vinho reserva, mas que não passa por madeira, e sim por inox. Um vinho ok.
Para o dia a dia. Ou para saborear junto com uma entradinha de carpaccio. Não é encorpado.
Custa 23 reais. Tem aroma frutado e desce que é uma beleza.
Como a rolha é de plástico, o ideal é bebê-lo no dia em que ele foi aberto.
Caso sobre, devemos colocar na geladeira e usá-lo como ingrediente em algum prato no dia seguinte.
Três dias depois de aberto não serve nem pra vinagre.

O segundo aberto foi o Paris Goulart Clássico 2007
Esse foi envelhecido por 6 meses em barricas de carvalho.
Por isso custa um pouco mais, 45 reais. É um vinho mais forte pra acompanhar a refeição.
Não é o tipo de vinho que se fica degustando, porque tem um sabor bem ácido no final.

Depois veio o meu preferido, o Séptimo Dia Malbec 2007
Gostei tanto desse que comprei uma garrafa no final da degustação.
Ele foi envelhecido durante 10 meses em barricas de carvalho americano e francês.
Ok, eu não faço a menor idéia de o que faz o carvalho francês ou o carvalho americano ser importante na questão vinho, mas deve fazer diferença, já que o Séptimo Dia custa 55 reais.
Não é o mais caro mas, sem dúvida, o melhor. Bem mais encorpado que os outros dois, tem aroma amadeirado de nozes. O sabor é sensacional, e parece ser ideal para acompanhar carnes vermelhas e massas em geral.
O eleito.

Bodega Norton Reserva 2006 é exportado para mais de 40 países. É envelhecido em carvalho francês por um ano e tem um aroma bem mais defumado.
Aliás, o gosto é muito melhor que o aroma.
Este sai pela quantia de 63 reais.
Vale? Vale. No entanto, ainda fico com o Séptimo.

Luigi Bosca Doc Malbec 2006
Falou em Doc é porque o negócio ficou sério, entendeu?
Na real eu não entendi muito bem. A denominação de Doc é de origem controlada.
Esse vinho é produzido em uma das vinícolas de maior sucesso na Argentina.
Tem aroma de baunilha com café e é bem encorpado.
O sabor no início é meio ácido, mas depois de um tempo na boca lembra mel. Delícia.
Quer provar? 82 reales.
Vale lembrar, pra degustar bem um vinho devemos deixá-lo por um tempo na boca.

E por fim, eu que já tinha degustado duas belas taças de Séptimo Dia, além de uma de cada dos outros, já estava japonesa e combinando uma viagem às vinícolas de Mendoza, degustei por fim o Rutini Malbec 2006
É importante saber que esse vinho, por ficar mais de um ano em carvalho 80% francês e 20% americano, deve ser bem decantado. É um vinho mais macio com sabor de avelã bastante amadeirado. A vinícola que produz esse vinho preza mais pela qualidade do que pela quantidade.
Você pode degustá-lo por 119 reais.

Pra quem, como eu, acha charmoso decantar o vinho, fique sabendo: o decanter serve apenas para vinhos que ficam acima de 10 meses em barricas de CARVALHO, não de inox como a maioria dos vinhos na faixa dos 20 reais.

Sim, os vinhos também choram. E quanto mais finas as lágrimas, maior o seu teor alcóolico.

Tô adorando praticar meu amadorismo com vinhos.

Desvatagem do vinho? Segundo Samuel Johnson, dar palavras aos pensamentos.

Enjoy.

18 março 2010

Por que somos sempre nós que tomamos a iniciativa?

Acho que sou capaz de perdoar tudo num homem, menos a covardia.
Talvez por isso tenha sentido ojeriza do jogador do flamengo, ou será o goleiro (quem se importa!), que formulou a estúpida frase: "Quem nunca saiu na mão com a mulher?"
E também tenha sentido asco de um certo participante do BBB 10 que decidiu se proteger colocando a "namoradinha" na berlinda. Sim, eu assisto BBB. Não, o BBB não é o centro de minhas atenções, apenas passatempo descartável. Gosto de perceber o comportamento humano. E embora os participantes de um reality show sejam motivo de chacota pela falta de cultura geral de todos, consigo perceber reações muito parecidas no dia a dia dos mais letrados.

Voltando a covardia, e pensando sobre o post que li essa semana:

Papo de homem

percebo que as mulheres são as grandes corajosas nas relações: na hora do parto, na escolha por ter ou não ter filhos, na decisão de casar ou não casar, na hora de terminar um relacionamento e na hora de dizer:

"Eu te amo, porra!"

Então vejo que ser covarde não se trata apenas de bater numa mulher, ou preferir se proteger a protegê-la. Esses são atos extremos de covardia. Ser covarde está nas pequenas atitudes do dia a dia: não conseguir terminar uma relação extremamente desgastada, não conseguir se declarar, preferir sofrer a se mostrar frágil, só se assumir apaixonado quando tem certeza do amor da outra pessoa, ter vergonha de sofrer, perder uma chance por se preocupar com o que os outros vão pensar, e por aí vai.

E, pqp, está cheio de homens assim. Fingindo que está tudo bem, mas chorando por dentro. Dizendo que não está nem aí apenas porque vive sua vida em função dos outros e do seu marketing pessoal de fodão, que significa, em outras palavras: COVARDE.
Quando encontro um cara que diz: eu sofri pra caramba por amor. Não deixei de viver minha vida, mas sofri! Eu fui abandonado ou fui traído. Minha mulher não queria mais transar comigo e isso me deixou mal. A culpa é dela ou minha e tanto faz porque eu queria ela de volta agora.

Quando vejo um cara assumir isso tenho vontade de pedir ele em casamento.

Porque a maioria é levado pelo vento, como o saquinho do video no post citado: pela opinião dos amigos, pelo ego, pelo comodismo ou pela própria estupidez mesmo.

Coragem de se expor.
Porque se conseguimos fazer tudo o que eles fazem e mais um pouco, essa dignidade deveria ser conquistada por uma maior fatia da população masculina.

Ah, eu já fiz o meu pedido de casamento.

15 março 2010

O sabonete que te alisa embaixo do chuveiro

Imperdível pra quem se escabela chorando com a mais brega música do rei, e o pior, não tem medo de admitir. Ou até pra aquele que se diz "cool" e curte as músicas da jovem guarda.

Destaque para as lambretas coloridas onde o público pode sentar enquanto assiste grandes momentos de Roberto e Erasmo Carlos.
Mas sem dúvida, e muito bem pensado, os puffs com caixas de som acopladas são a sensação e o descanso depois de por fim chegar ao último andar da exposição.

Foi nesses puffs que minha amiga Clarissa e eu tivemos a sorte de ouvir Cavalgada, um grande hit do astro Rei:
"Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer"

Ou ainda, Cama e Mesa:
"Eu quero ser seu travesseiro
E ter a noite inteira
Pra te beijar durante
o tempo que você dormir"

Imagina um homem que diz que quer ser o seu travesseiro!!!???
Se não fosse brega não seria romântico, e tem mais, pode ser até mentira, que a gente vai adorar.
Na OCA - Parque Ibirapuera - até dia 8 de maio
RC - 50 anos de música
de terça a domingo - das 10h às 21h
terça e quarta - 5 reais
nos outros dias - 20 reais
enjoy!

05 março 2010

Esses dois primeiros não foram proibidos...

...mas esses sim deveriam.

Me diz, quem ainda usa biquini "asa delta"???
Quem???



E tanto nesse, como no anterior, há uma exploração estúpida do corpo feminino.




E nesse, que FOI PROIBIDO, pelo menos tem um cara gostoso também. É sexy sem ser vulgar. Paris Hilton está longe de fazer o tipo gostosona. Então PODE usar um vestido curto sem parecer que está fazendo ponto na Augusta. E não mostrar tudo, convenhamos, é muito mais provocante que biquini ou nudez completa.
A primeira vez que assisti na íntegra pensei: Enfim um comercial de cerveja de bom gosto.
Muita preguiça da Conar, viu? O não falta para eles é falta de argumentos.

28 fevereiro 2010

Abaixo as Unibans do país

http://revistaensinosuperior.uol.com.br/textos.asp?codigo=12544

De extrema importância o levantamento feito pelo sociólogo Gilson Borga.
Ainda mais num tempo em que estamos cercados de "Unibans" da vida.
Sem dúvida, uma estrutura favorável é necessária para um melhor aproveitamento acadêmico, no entanto, o que realmente motiva um aluno é a admiração por quem está lhe passando o conhecimento.
Posso perfeitamente usar como exemplo a PUC de São Paulo, mas sem antes deixar claro que estou falando do meu curso em específico.
Falo, sem medo de errar, que o curso de jornalismo da PUC-SP é um dos melhores do país. E com certeza não falo em termos de estrutura. Ela tem uma estrutura péssima comparada a PUC-RS por exemplo. Acontece que na COMFIL tive motivações que a FAMECOS deixou a desejar.
Admirar um professor faz com que o aluno não queira ser mais um.
No caso do jornalismo, faz com que o aluno não queira se acomodar num concurso ou se encostar numa redação.
Não estou diminuindo o valor da FAMECOS. Mas a PUC-RS em si é exemplo de uma entre várias universidades do país que deixou de investir em bons educadores para se transformar em uma espécie de shopping center.
E essas UNIs da vida onde basta saber escrever o nome na prova do vestibular que você está aprovado, desde que pague a matrícula (que fique claro!), são exemplos ainda piores. Pagam salários medíocres para professores recém formados, sem bagagem nenhuma de profissão ou de mercado de trabalho.
Eu quase morri para terminar de pagar a PUC-SP. Enquanto nessas "novas Universidades" você acessa a internet até no banheiro, na Puc daqui, quando muito tinha espelho no banheiro.
Porém, tive um sem número de mestres que me fizeram continuar.
Que caia o diploma! Que aumente a mensalidade! Mas, por favor, mantenham a qualidade.
O melhor professor não é aquele que ensina. É aquele que inspira.

Me recusaria a pagar um pau e meio por mês se não tivesse professores no mínimo com esse currículo:

http://www.revista.agulha.nom.br/ag53moraes.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Arbex_Junior

:)

27 fevereiro 2010

Eu sou assim também

Sou torta, cheia de curvas.
E não são curvas da garota propaganda de cerveja.
Eu sou assim também.
Prefiro ser feliz a ter razão. Sempre.
Prefiro pedir desculpas mesmo quando sei que estou certa.
E perdôo também.
Prefiro sentir a dor do que fingir vencê-la.
Confesso: ainda não sei o que quero.
Mas tenho absoluta certeza do que não quero pra mim.
Por isso ainda dou mais uma chance.
A última chance dessa vez.
Na próxima talvez não tenha.
Mas se não tiver, vai ser porque EU não quis.

http://carpinejar.blogspot.com/2010/02/separacao-criativa.html

23 fevereiro 2010

a girl without a kiss

Existe algo em mim que precisa do espaço e que ao mesmo tempo busca alguém.
Algo lúdico e trágico que sai de mim e de vez em quando vem.

Tem tanta gente falando por falar, tanta gente brigando por brigar.
Escolhi calar. Escolhi gritar.

Tem tanta gente que ri sem ter vontade, tanta gente que é pura maquiagem.
Gente triste com foto no jornal onde está bem, gente míope esperando algo que nunca vem.

Eu escolhi um céu não tão azul. Quis um inverno nem tão frio assim.
Eu decidi deixar de lado as ilusões, enquanto isso elas correm atrás de mim.

E eu me pergunto: que beijo foi aquele?
- Que beijo sem saliva foi aquele?

Me chamem quando alguém assumir que chora escondido.
Me liguem quando assinarem atestado de bandido.

Eu sigo só, nesse mundo, eu vou só.
Sigo só, nesse mundo, ando só.
Essa música é pra ti que é pura nostalgia. Pra ti que vive a vida sem anestesia.

Pra ti que nunca morre quando as luzes se apagam.
Pra ti que sofre de ferida aberta e desistiu de provar que está certa.

15 fevereiro 2010

Fudeu?


Sinto o fim do mundo como a única coisa coerente a se esperar.
Podem fazer um milhão de objetos horrorosos, desses de garrafas pets.
O desastre fashion daquelas bolsas com argolas de latinhas.
Ou ainda usar sacolas recicláveis. Nada disso me convence ou me comove.

Os ecologicamente corretos não me convencem porque são, em sua maioria, ignorantes.
No ano de 2004, talvez 2005, li uma reportagem na Trip, escrita pelo excelente repórter Bruno Torturra, que falava sobre o futuro da humanidade.
O título era: Fudeu! Não há mais como salvar o planeta.
Essa foi a única reportagem sobre o meio ambiente que fez sentido pra mim nos últimos anos.
Nenhuma outra história da carochinha me persuadiu.

Embora eu tenha sempre tentado fugir de um mundo fútil, ele sempre me perseguiu e me pagou bem para me deixar certa mais uma vez de que a salvação da terra está fadada ao fracasso.
Não escrevo isso de maneira pessimista. Taí uma coisa que não sou.
Escrevo os fatos. Dos fatos não há como fugir.

Vejo a população a minha volta com a mesma ignorância dos gregos há centenas de anos atrás.
A excessiva contemplação do belo. O belo, para os gregos, era algo inútil, servindo apenas para ser contemplado. E por isso era considerado como algo sagrado.
Tudo o que era útil remetia a servidão, dessa forma, tudo o que era útil servia apenas para os escravos. Os gregos gostavam, admiravam e contemplavam coisas inúteis e belas.

E hoje? Estamos num mundo muito diferente?

Sensações

Que Deus permita manter à distância meu ego, para que eu não perca esse sentimento oceânico.

Um carnaval pra chamar de meu

Quem pensa que precisa morar no Nordeste ou no Rio pra ter uma infância regada a folia no carnaval está muito enganado.
Minha mãe, como toda mulher, realizou o grande sonho feminino ao ter uma filha.
Ganhou uma barbie para trocar de roupa.
Está certo que, muitas vezes, as roupas de apresentação do balé eram aproveitadas.
Acontece que minha mãe tinha uma máquina de costura.
E, para meu constrangimento, afinal eu mal sei pregar um botão numa camisa, sabia costurar nessa máquina.
E dali saíram muitas das minhas fantasias.
De florzinha, de odalisca, de, veja bem, colhedora de trigo.
Sim, com esta última, minha mãe conseguiu a façanha de me inscrever num concurso de fantasias do Clube Glória Tênis Clube. Foi quando ganhei primeiro lugar na categoria originalidade! Quase uma obviedade.
Meu pai também acompannhava. Mas a "função" mesmo ficava por conta da minha mãe.
E eu me lambuzava na purpurina. Não economizava confete.
Só guardava mesmo a serpentina. Dessas eu ganhava apenas 4 ou 5.
Usava no meio do salão, mas deixava a última para quando minha mãe dizia que estava na hora.
Pois é. Carnaval de salão dos clubes de Porto Alegre.
Era pulando atrás do trenzinho que eu dificilmente pedia para ir embora.
Era cantando: "Olha a cabeleira do Zezé", entre outras marchinhas, que eu esquecia do meu TOC de querer sempre voltar pra casa.
Minha mãe chegava perto de mim e dizia: "Vamos, tá na hora!"
E eu dizia: "Só um pouquinho"
E corria para um canto do salão para jogar minha última serpentina.
Era bonito de se ver.
Era carnaval.