Porque falam muito alto. Porque conversam em demasia no telefone.
Combinam encontros e marcam jantares.
Rabugentísse à parte, confesso um pouco de inveja. Não do excesso de companhia e conversas, mas do apreço exaustivo de ambas. Queria, por vontade própria, tomar tal iniciativa. Mas sempre preferi não.
E não é que eu tema ser contrariada e ver todas as minhas crendices colocadas à prova.
Conheço poucos que demonstrem maior questionamento às próprias certezas do que eu mesma.
E acredito que o silêncio tenha maior poder para modificar opiniões pré-estabelecidas do que conversas entre iguais.
A solidão e o silêncio tem um requinte quase maior do que o de um casal que ainda não oficializou o seu desejo.
É por essa solidão que passam as lembranças em branco e preto. E é o silêncio que as tornam bem mais dignas de um roteiro do que elas verdadeiramente foram.
Aquela casa, aquela rua, aquela cidade pequena.
Os sorrisos, as lágrimas e os sorrisos por debaixo das lágrimas.
Enquanto escrevo simulo um ideal que apenas a companhia felina e Blue Moon podem burlar.
E bebo mais um gole de vinho. Escrevo mais um pouco. E minto mais um pouco.
E a vida segue.













Especialmente porque quando o filme acaba eu tenho a certeza de que tudo pode dar errado de novo.