23 novembro 2010

divã

Às vezes sinto falta da terapia.
Só pra chorar um pouco. Dizer que está tudo errado, mesmo não estando, e voltar para casa com a sensação de que aquele dinheiro está sendo bem investido.

No mundo dos blogs percebo que os que mais fazem sucesso são os que incentivam consumo.
Certo ou não, nunca perdi 30 segundos num blog desses.
Estaria eu preferindo as crises existenciais do universo virtual? Aquelas em que o indivíduo se auto-deprecia a ponto de rir de si mesmo, e, às vezes, nem isso?

(Meu pânico a vírgulas me permite usá-las aos montes quando é de meu agrado.)

Sempre me vem Clarice na memória. Naquela entrevista na Cultura, fumando compulsivamente (e uma das  únicas pessoas que conheço, é verdade, a ter classe nesse ato), sem esboçar um sorriso, com largas pausas entre as perguntas e as respostas, e até mesmo entre as próprias frases, como se desprezasse o tempo. O seu e o do mundo.

Mas eu não faço mais terapia. Então me deixo desabafar por aqui. Com todas as pausas que me são de direito.

bebo sim

Foi o Rô que me apresentou.

Glamm é um vinho branco frisante que vem nessa latinha de 250 ml.

Ideal para o Happy intimista. Só tenho vontade de beber isso agora, mas não tem em qualquer lugar.

Só na nossa geladeira e no pão de açúcar. :)

31 outubro 2010

As Bruxas estão soltas e os livros permitidos

Comecei a ler com 5 anos. Meu irmão mais velho e por parte de pai quem me ensinou. Lembro de mim, no banco de trás do carro ensaiando: "Car los An tonio Frei tas, den tis ta". E foi a partir daí que minha mãe teve a brilhante idéia de entrar para o Círculo do Livro. Alguém de Porto Alegre lembra disso?

Só sei que todo mês minha mãe recebia o representante desse clube e comprava uma meia dúzia de livros pra mim: A dama e o vagabundo; Marcelo, Marmelo, Martelo; A Bela Adormecida, Cinderela e mais um monte de títulos infantis conhecidos da infância anos 80.

Posso dizer que minha mãe pensou: não preciso mais inventar histórias para essa criança dormir. E não precisava mesmo. Agora era só ler. E ai dela que inventasse uma história mais curta, porque eu lia aqueles livros de cabo a rabo. Esnobava. Dizia que era muito fácil.
Foi quando ganhei a coleção inteira do Monteiro Lobato: O sítio do picapau amarelo. Livros sem figuras. Histórias profundas. Sutilezas, ironias. Tive que ler. Foi bem difícil. E só mais tarde fui entender do que se tratava aquele pó de pirilimpimpim...

Saquei que muito disso acontece ainda hoje. Muitos clássicos da literatura que li e na hora não caiu a ficha, mais tarde pensava: "ah, então era isso". Nenhum clássico é clássico por acaso. Dentro da obra de Oscar Wilde, por exemplo, existem inúmeros significados capazes de produzir infinitos insights, ainda que retardatários.

Não foi minha mãe que me ensinou a ler. Mas foi ela que me proporcionou o gosto pela leitura. Não que ela fosse rodeada de livros. Essa era uma das qualidades do meu pai. Minha mãe admirava tanto isso nele que quis passar pra mim algo que a ela não pertencia.
Se hoje eu tenho um maior conhecimento do mundo e enxergo ele com outros olhos, devo muito a minha mãe. 
Nenhuma viagem, por terra ou por droga, tem total sentido para quem não tem referências da literatura. 


O cinema, a arte e as grandes ideias, tiveram sua origem nos livros.
As mulheres que foram queimadas junto com as obras que liam, não faziam bruxarias, se apoderavam de uma sabedoria exclusiva dos homens. Agora, não tem mais jeito, eu sou bruxa desde os 5 anos. E adoro.

27 setembro 2010

Resumo da ópera, ou melhor, da Missa

No último sábado...

Dudu no ato I:

"Os clientes não compram grandes idéias. Eles compram a realização das idéias."

Isso acontece em qualquer área da comunicação. A minha é o jornalismo.
Eu sei o quanto uma reportagem pode gerar expectativa. Mas quem me autoriza é uma pessoa que calmamente vai perguntar: "Como você pretende fazer isso?"
E nessa hora é bom eu ter um bom plano de execução.
Isso não quer dizer que eu escolha caminhos mais fáceis.
Quer dizer que você deve estar disposto a dar a cara a tapa.

Felipe no ato II:

Piada boa é quando ofende alguém.

Os politicamente corretos que me desculpem. Mas ser incorreto é fundamental se você quer ser engraçadinho.


22 setembro 2010

lembranças de um passado remoto

Parece que se passaram 20 anos desde que eu tropecei em mim mesma. Mas foi logo ali, 4 anos atrás.
E hoje, tão envolvida com pessoas e acontecimentos bacanas, não reconheço o sentimento.

Um dia você acorda e decide que não quer mais ter que acordar.
Você esquece de pentear o cabelo. Não arruma mais a cama e mal se olha no espelho.
Tem um dia que você vai chorar compulsivamente porque cada vez que o choro está ensaiando um término você lembra que todo o choro não eliminará a dor. Primeiro você se sente culpada. Sente falta. Depois você percebe que não é o outro. É você.
Então, olha no espelho. Aquelas espinhas que nunca incomodaram na adolescência se instalam na cútis dos vinte e poucos anos.
Você não ri.
Escreve. Escreve. Escreve. Amassa a maioria dos papéis e não joga fora. Você não consegue jogar nada fora a não ser a outra metade do macarrão instantâneo que você certamente não vai conseguir comer.

Você escreve um milhão de emails e salva em rascunhos na esperança de um dia ter coragem de não mandá-los.
Todos os homens do mundo são feios e desinteressantes, com uma breve excessão ao Jogador de Dostoievski. Mas o resto? É só o pó.
Você é feia.
Os dias de sol são feios. A única pessoa com uma beleza lenta é uma amiga que nesse momento vem em sua direção com um rivotril na mão.

O mundo acabou. O sonho acabou. E por que diabos você ainda precisa caminhar por ele e justificar sua ausência em eventos não felizes.
Não. Em momento algum pensou em se matar. Você não é suicida.
Você só queria dormir e não acordar tão cedo.
Talvez dormir pra sempre.
Isso não é se matar. É desistir.
Desistir por um tempo.

Mas eu sempre acordava.

E um dia eu acordei de verdade.
Daí eu voltei.

09 setembro 2010

Curtas fertilizadas por uma mente em TPM

Porque a minha TPM tem mais de 140 caracteres

SE GERA EMPREGOS...

Se uma casa comercial está fechada por dois meses significa que a sua calçada rebaixada para carros virou zona azul e o distribuidor de multas vai multá-lo para atingir sua cota diária de multas que geram empregos. E se gera empregos é bom para o Brasil.

NA CONTRAMÃO

Olhe para os dois lados ao atravessar mesmo que esteja em uma via de mão única. Sempre pode ter um táxi ou um motoboy na direção contrária fazendo uma manobra que ele se sente no direito de fazer. E você, além de atropelada, será xingada.

PREGUICINHA

Tem coisa mais cansativa que mulher ciumenta e insegura que acha que todo mundo tá olhando para o seu namorado e quase coloca o moço dentro da bolsa para evitar a situação? Morro de vontade de dizer: "Gata, te liga, eu jamais me interessaria por um idiota que perde o seu tempo na tua companhia."

ABANDONADA

Nunca tente ajudar uma senhora do seu prédio que foi despedia do emprego e abandonada pela família. Pense bem, alguma coisa ela aprontou. Então, não seja solícita aceitando comprar alguma coisa dos livrinhos que ela lhe empurra no corredor. Faça a linha blasé e diga que só usa importados e tem alergia a produtos vendidos por revendedoras. Ou então aguente a velha ligando 8h30 da manhã para dizer que o seu óleo chegou!

BINA

Tem invenção mais incrível que a bina. Você liga, a pessoa não atende. E se ela não retorna, ótimo! Você já sabe que ela não quer falar com você. Ok, você pode até ligar uma segunda vez. Mas vamos combinar, a não ser que essa pessoa te deva dinheiro, se ela não atendeu ela não quer falar contigo. Ela não te ama mais. Ela não quer mais ser seu amigo. Ela te despreza, te ignora, te detesta. Simples e claro. Não para a velha que quer me mostrar os mais novos livrinhos revendedores e já ligou 21 vezes para o meu celular num único dia. Saudades do "diz que eu não tô".

31 agosto 2010

quanto vale o seu tempo

- Faz pouco tempo que você mora por aqui, não?
- Não. Já moro há 3 anos.
- Eu moro há 53.
...
- Faz pouco tempo que moro por aqui

29 agosto 2010

porque até o jazz gostaria de ser mais rock n' roll

Qual o seu grau de comprometimento com alguma coisa? Qualquer coisa.

O que é uma obrigação pra você? O que costuma fazer religiosamente? Acha que já aprendeu tudo? Plagia ou segue tendências? Cria ou, na verdade, recria? Pensa com a tua cabeça ou a partir de estereótipos? Você é gênio? Tá gostando assim?


Não me preocupa a ansiedade e o tédio, mas sim a apatia.
Se tá bom assim como está. Fica aí. E não entra




Se já sabe como fazer vai lá e faz.

;-)

Ilustração: Stephan Doitschinoff

02 agosto 2010

Solidão e silêncio

Conheço poucas pessoas que apreciem tanto a solidão e o silêncio como eu.
Porque falam muito alto. Porque conversam em demasia no telefone.
Combinam encontros e marcam jantares.
Rabugentísse à parte, confesso um pouco de inveja. Não do excesso de companhia e conversas, mas do apreço exaustivo de ambas. Queria, por vontade própria, tomar tal iniciativa. Mas sempre preferi não.
E não é que eu tema ser contrariada e ver todas as minhas crendices colocadas à prova.
Conheço poucos que demonstrem maior questionamento às próprias certezas do que eu mesma.
E acredito que o silêncio tenha maior poder para modificar opiniões pré-estabelecidas do que conversas entre iguais.
A solidão e o silêncio tem um requinte quase maior do que o de um casal que ainda não oficializou o seu desejo.
É por essa solidão que passam as lembranças em branco e preto. E é o silêncio que as tornam bem mais dignas de um roteiro do que elas verdadeiramente foram.
Aquela casa, aquela rua, aquela cidade pequena.
Os sorrisos, as lágrimas e os sorrisos por debaixo das lágrimas.
Enquanto escrevo simulo um ideal que apenas a companhia felina e Blue Moon podem burlar.
E bebo mais um gole de vinho. Escrevo mais um pouco. E minto mais um pouco.
E a vida segue.

29 junho 2010

A cidadania do passaporte europeu

Cheguei no aviao e a primeira coisa que lembrei foi daquilo que esqueci.
Nao trouxe meus remedios e desde quinta nao durmo bem.
Desde quinta penso muito mais do que o normal. Engracado isso de pensar muito. Voce chega no medico e ele pergunta qual o seu problema:
- Sindrome do panico?
- Depressao/ alteracao constante de humor?
- Ansiedade/ compulsao?

Nao. Eu penso demais. Lo pienso demasiado.
Mucho.

Penso mais ainda quando deito a cabeca no travesseiro.
Penso em tudo, qualquer coisa vira enredo. Qualquer nota, letra de musica.
E tanta gente que nao pensa, nao analisa, nao visualiza todas as possibilidades e invencoes futuras.
E eu pensando tudo. Pensando pelos que nao pensam.

Ricardo, do Cabo Verde fala português, espanhol, francês e inglês. Ele conseguiu uns activias em seu armazen para mim. Se nao durmo devo pelo menos ir ao banheiro, nao?

Estou terminando o Animal Agonizante enquanto agonizo com noites sem sono. O sol esta algo de sensacional. Esqueci, ou talvez nem tenha pensado nisso, todos os meus biquinis.
Deveria ser crime viajar sem biquini na mala. Agora comprei dois europeus e faco a linha calcolao sem a parte de cima.

Nao estou aprendendo nada que eu ja nao saiba. Mas estou conhecendo Madri.
Conhecendo Madri cercada de nerds. E eu nao me importo. Eles nao sabem que sou uma farsa.
Nao sabem que a nota maxima foi um deslize de conduta.
E eu aproveito.

10 junho 2010

Fashion What?



Os biquinis da Cia Marítima continuam extremamente lindos, e o que é melhor, usáveis pra pegar sol.
A Rosa Chá fez aquela linha over fashion. Muito mais maiô tomara que caia do que biquini, e os biquinis...bem, só se for pra fazer carão no fim de tarde. Prefiro tênis, top e short para correr do que ficar fazendo a linha bonita na praia, então ponto, mais um verão, para a Cia Marítima.




Cia Marítima arrasou nos modelos e nas estampas.















A Rosa Chá apresentou coleção assinada por Herchcovitch não muito diferente da do verão anterior. Segue mais na linha "lingerie tendência" que pode até funcionar, mas não com a maioria. Porém, o desfile não foi tãããão conceitual como o do ano passado. Ainda bem. A grande sacada do desfile da Rosa Chá, sem dúvida, foi a banda Stop Play Moon tocando ao vivo.


A Rosa Chá está a cara do Herchcovitch. E tem quem goste. Claro.

05 junho 2010

Nada mais liberal do que um radical no poder

O deputado Luiz Bassuma, autor do projeto contra a legalização do aborto, garantiu que se o mesmo fosse autorizado pelo estado, acomodaria as mulheres, que deixariam de prevenir a gravidez.
Sendo contra e apresentando suas justificativas, o deputado do Partido Verde, em momento algum sugere uma solução. Porque todos sabemos que os métodos contraceptivos sempre existiram. E por que cargas d'água então, uma em cada sete mulheres já fez aborto e o número da população miserável cresce de forma desgovernada?

Por que é tão dífícil o Brasil tomar uma solução radical?
Por que então, ao invés de legalizar o aborto, não se inicia uma ligadura de trompas de mães que estão na linha da pobreza a ponto de não conseguir sustentar nem um único filho?
Por que não se torna obrigatório uma injeção contraceptiva anual em lugares onde não existe nem escoamento de esgoto?
Por que é tão difícil prevenir que milhares de crianças perambulem pelas ruas, usem drogas e caiam no mundo do crime?

Há mais ou menos 5 anos assisti a uma entrevista no GNT com o médico Ocimar Coutinho, então presidente da Sociedade Brasileira da Medicina Endócrina, em que ele afirmava que o Brasil é campeão de filhos sem pai. "O brasileiro faz filho e o governo tem que criar", ressaltava. O problema é que o governo não dá conta. E se não dá conta, causando outros inúmeros problemas à sociedade, deveria ir atrás de soluções que evitassem de essas mães engravidarem.

Esse tipo de atitude contraceptiva seria, sem dúvida, criticada por uma caravana de gente que acha que encher o mundo de gente é a vontade de Deus!!??
Não há como ter absoluta certeza de que Deus existe mas, se Ele existe deve desprezar a ignorância que leva tanta gente ao sofrimento e as cidades ao caos urbano.

Não sei se sou a favor do aborto. Porém, sou extremamente a favor da ligadura de trompas e da contracepção obrigatória.
Mesmo casais com uma condição financeira estável pensam muito antes de ter filhos, e o número não tem passado de dois.

O Bom Fim indispensável de Porto Alegre


Quem, ao visitar Porto Alegre, já pediu dicas a um gaúcho sobre um lugar bacana para gastar as horas livres, já deve ter ouvido falar do Ossip, o boteco mais famoso da capital e um dos pioneiros no bairro Cidade Baixa. Os sócios e irmãos, Diego e Federico Olivari, acabam de inaugurar um irmão mais novo do Ossip no bairro Bom Fim, o Odessa de Isaac Babel, porém para um público mais “oldschool” segundo o próprio Federico, que também é autor dos quadros fantásticos expostos nas paredes do bar: “O nosso público está mais velho, o Odessa é um bar um pouco mais caro, não é um lugar pra pegar garrafa e beber em pé na rua como ainda acontece no Ossip.” E para seguir botando ordem na casa, mesmo a lei antifumo ainda não ter sido aprovada na capital gaúcha, os irmãos uruguaios proibiram o fumo dentro do bar. Para os fumantes ficam reservadas as concorridas mesinhas do lado de fora.

Há poucas quadras dali, há menos de um mês, inaugurou o Boris, um restaurante que mistura jazz com gastronomia de chef com preços pra lá de honestos. Ele costuma lotar nas noites de jazz, às terças e sextas, por um público que vai desde estudantes da UFRGS até a outro um pouco mais velho, amantes de Miles Davis entre outros do gênero.
Nas tardes de sol ou mesmo nas de chuva, vale uma visita na Palavraria para tomar um café, ou mesmo um vinho, e saborear os inúmeros livros do cardápio da livraria. Todo novo escritor da cidade quer ter seu livro lançado ali. É pequena, aconchegante e dispensa os Best Sellers de auto-ajuda que vendem aos montes nas livrarias de Shopping.
É ali no BOm Fim. Um bairro judeu e bastante familiar, que teve seus tempos de glória assim como seus tempos decadentes em função dos botecos da Avenida Osvaldo Aranha, e agora resurge como o bairro da vez na capital gaúcha.