07 janeiro 2011

Machista, eu?

O mundo ainda é machista? Claro que é. E numas coisas que não deveria ser, mas é.

Homem de bengala = charme
Mulher de bengala = manca

Homem grisalho = charme
Mulher grisalha = relaxada

Homem com rugas ao sorrir = charme
Mulher com rugas ao sorrir = pés de galinha

Homem com barriga = fora de forma
Mulher com barriga = gorda

O mínimo que o homem deve fazer é pagar a conta, carregar às malas, ser cavalheiro.
Só falta me chamarem de machista...

03 janeiro 2011

olhar estrangeiro



Nunca me importei de não ter a sensação de pertencimento.
E eu não pertenço a nenhum grupo de amigos, a nenhuma religião, a nenhuma cidade, a nenhuma seita ou filosofia.
Não sou rata de praia, nem de academia. Corro sem ser maratonista. Leio sem ser intelectual.
Faço parte do mundo. É pouco?

Não me importo de viajar sozinha, almoçar sozinha, beber um drink sozinha. Ficar sozinha mesmo.
Estar só é falar menos e observar mais. Observar me ensina.
A questão não é só essa. É poder manter meu olhar estrangeiro nos grupos formados.
Gosto de verdade de não pertencer pra não ter o maior problema em deixar o lugar, qualquer lugar.
Ir embora sem grandes despedidas sabendo que pra onde quer que eu for meu olhar não terá vícios.

Vez ou outra admiro e até invejo a cumplicidade dos grupos. Daí, logo me entedio.


08 dezembro 2010

The day after you die

Não raro escutei amigas e conhecidas expor seus planos a respeito do futuro: "Quero ter filho antes dos 30, e dois filhos, dois ou três!", ou "Quero festa de casamento, mesmo sem me vestir de noiva"...

E a real é que a verdade é tão ou mais cruel do que se imagina. E não foi diferente com elas.
Afinal somos filhos do divórcio e das péssimas relações conjugais que muitas vezes superestimavam a maternidade, achando que com ela as coisas poderiam ser menos entediantes.

Não construir uma realidade ideal só me ajudou nesse sentido. Sempre evitei sonhar com a família margarina. Porque nunca conheci uma.

Conquistamos tantas coisas como o direito de fazer terapia, de não se entender, de mudar de idéia, de não saber o que se quer da vida, de morar sozinho, de acabar uma relação que te diminui, de começar do zero depois do fim, de morrer de amores e esquecer no dia seguinte...
E tudo isso, e mais um pouco, para quê? Para ter uma casa com refeições feitas com caldo knorr e tempero arisco? :o

Para quem você quer provar alguma coisa quando baixa as pálpebras e vira a cara pensando: "comigo será diferente".

E talvez seja tão diferente que você nem imagine o resultado final. E essa é a grande jogada de se respirar nesse planeta: ninguém sabe.

Porque um belo dia você acorda de manhã e já tem 30 anos, talvez 40, e por mais independente e sensacional que for a sua vida você ainda vai ter dúvida. Você vai morrer de medo de não conseguir subir mais um degrau. Você vai ter medo de engordar, de ser rejeitado, de acabar sozinho, de perder aquela festa, aquele show, aquele filme no cinema.

E eu te pergunto: e daí?

Portanto, faça planos. Mas não julgue a vida do cara do lado como miserável porque ela não condiz com o protótipo de vida perfeita que você, com toda sua vanguarda, idealizou.

Talvez você não tenha 3 filhos. E se tiver, talvez o primeiro só venha depois dos 30. Talvez você nem case. Mas isso não impede que você conheça uma pessoa legal e se divirta.

E se, por acaso, você tem 24, 25 anos, não subestime a maneira como os mais velhos fazem tudo. Porque talvez você caia na mesma armadilha e tenha que simplesmente viver.

23 novembro 2010

divã

Às vezes sinto falta da terapia.
Só pra chorar um pouco. Dizer que está tudo errado, mesmo não estando, e voltar para casa com a sensação de que aquele dinheiro está sendo bem investido.

No mundo dos blogs percebo que os que mais fazem sucesso são os que incentivam consumo.
Certo ou não, nunca perdi 30 segundos num blog desses.
Estaria eu preferindo as crises existenciais do universo virtual? Aquelas em que o indivíduo se auto-deprecia a ponto de rir de si mesmo, e, às vezes, nem isso?

(Meu pânico a vírgulas me permite usá-las aos montes quando é de meu agrado.)

Sempre me vem Clarice na memória. Naquela entrevista na Cultura, fumando compulsivamente (e uma das  únicas pessoas que conheço, é verdade, a ter classe nesse ato), sem esboçar um sorriso, com largas pausas entre as perguntas e as respostas, e até mesmo entre as próprias frases, como se desprezasse o tempo. O seu e o do mundo.

Mas eu não faço mais terapia. Então me deixo desabafar por aqui. Com todas as pausas que me são de direito.

bebo sim

Foi o Rô que me apresentou.

Glamm é um vinho branco frisante que vem nessa latinha de 250 ml.

Ideal para o Happy intimista. Só tenho vontade de beber isso agora, mas não tem em qualquer lugar.

Só na nossa geladeira e no pão de açúcar. :)

31 outubro 2010

As Bruxas estão soltas e os livros permitidos

Comecei a ler com 5 anos. Meu irmão mais velho e por parte de pai quem me ensinou. Lembro de mim, no banco de trás do carro ensaiando: "Car los An tonio Frei tas, den tis ta". E foi a partir daí que minha mãe teve a brilhante idéia de entrar para o Círculo do Livro. Alguém de Porto Alegre lembra disso?

Só sei que todo mês minha mãe recebia o representante desse clube e comprava uma meia dúzia de livros pra mim: A dama e o vagabundo; Marcelo, Marmelo, Martelo; A Bela Adormecida, Cinderela e mais um monte de títulos infantis conhecidos da infância anos 80.

Posso dizer que minha mãe pensou: não preciso mais inventar histórias para essa criança dormir. E não precisava mesmo. Agora era só ler. E ai dela que inventasse uma história mais curta, porque eu lia aqueles livros de cabo a rabo. Esnobava. Dizia que era muito fácil.
Foi quando ganhei a coleção inteira do Monteiro Lobato: O sítio do picapau amarelo. Livros sem figuras. Histórias profundas. Sutilezas, ironias. Tive que ler. Foi bem difícil. E só mais tarde fui entender do que se tratava aquele pó de pirilimpimpim...

Saquei que muito disso acontece ainda hoje. Muitos clássicos da literatura que li e na hora não caiu a ficha, mais tarde pensava: "ah, então era isso". Nenhum clássico é clássico por acaso. Dentro da obra de Oscar Wilde, por exemplo, existem inúmeros significados capazes de produzir infinitos insights, ainda que retardatários.

Não foi minha mãe que me ensinou a ler. Mas foi ela que me proporcionou o gosto pela leitura. Não que ela fosse rodeada de livros. Essa era uma das qualidades do meu pai. Minha mãe admirava tanto isso nele que quis passar pra mim algo que a ela não pertencia.
Se hoje eu tenho um maior conhecimento do mundo e enxergo ele com outros olhos, devo muito a minha mãe. 
Nenhuma viagem, por terra ou por droga, tem total sentido para quem não tem referências da literatura. 


O cinema, a arte e as grandes ideias, tiveram sua origem nos livros.
As mulheres que foram queimadas junto com as obras que liam, não faziam bruxarias, se apoderavam de uma sabedoria exclusiva dos homens. Agora, não tem mais jeito, eu sou bruxa desde os 5 anos. E adoro.

27 setembro 2010

Resumo da ópera, ou melhor, da Missa

No último sábado...

Dudu no ato I:

"Os clientes não compram grandes idéias. Eles compram a realização das idéias."

Isso acontece em qualquer área da comunicação. A minha é o jornalismo.
Eu sei o quanto uma reportagem pode gerar expectativa. Mas quem me autoriza é uma pessoa que calmamente vai perguntar: "Como você pretende fazer isso?"
E nessa hora é bom eu ter um bom plano de execução.
Isso não quer dizer que eu escolha caminhos mais fáceis.
Quer dizer que você deve estar disposto a dar a cara a tapa.

Felipe no ato II:

Piada boa é quando ofende alguém.

Os politicamente corretos que me desculpem. Mas ser incorreto é fundamental se você quer ser engraçadinho.


22 setembro 2010

lembranças de um passado remoto

Parece que se passaram 20 anos desde que eu tropecei em mim mesma. Mas foi logo ali, 4 anos atrás.
E hoje, tão envolvida com pessoas e acontecimentos bacanas, não reconheço o sentimento.

Um dia você acorda e decide que não quer mais ter que acordar.
Você esquece de pentear o cabelo. Não arruma mais a cama e mal se olha no espelho.
Tem um dia que você vai chorar compulsivamente porque cada vez que o choro está ensaiando um término você lembra que todo o choro não eliminará a dor. Primeiro você se sente culpada. Sente falta. Depois você percebe que não é o outro. É você.
Então, olha no espelho. Aquelas espinhas que nunca incomodaram na adolescência se instalam na cútis dos vinte e poucos anos.
Você não ri.
Escreve. Escreve. Escreve. Amassa a maioria dos papéis e não joga fora. Você não consegue jogar nada fora a não ser a outra metade do macarrão instantâneo que você certamente não vai conseguir comer.

Você escreve um milhão de emails e salva em rascunhos na esperança de um dia ter coragem de não mandá-los.
Todos os homens do mundo são feios e desinteressantes, com uma breve excessão ao Jogador de Dostoievski. Mas o resto? É só o pó.
Você é feia.
Os dias de sol são feios. A única pessoa com uma beleza lenta é uma amiga que nesse momento vem em sua direção com um rivotril na mão.

O mundo acabou. O sonho acabou. E por que diabos você ainda precisa caminhar por ele e justificar sua ausência em eventos não felizes.
Não. Em momento algum pensou em se matar. Você não é suicida.
Você só queria dormir e não acordar tão cedo.
Talvez dormir pra sempre.
Isso não é se matar. É desistir.
Desistir por um tempo.

Mas eu sempre acordava.

E um dia eu acordei de verdade.
Daí eu voltei.

09 setembro 2010

Curtas fertilizadas por uma mente em TPM

Porque a minha TPM tem mais de 140 caracteres

SE GERA EMPREGOS...

Se uma casa comercial está fechada por dois meses significa que a sua calçada rebaixada para carros virou zona azul e o distribuidor de multas vai multá-lo para atingir sua cota diária de multas que geram empregos. E se gera empregos é bom para o Brasil.

NA CONTRAMÃO

Olhe para os dois lados ao atravessar mesmo que esteja em uma via de mão única. Sempre pode ter um táxi ou um motoboy na direção contrária fazendo uma manobra que ele se sente no direito de fazer. E você, além de atropelada, será xingada.

PREGUICINHA

Tem coisa mais cansativa que mulher ciumenta e insegura que acha que todo mundo tá olhando para o seu namorado e quase coloca o moço dentro da bolsa para evitar a situação? Morro de vontade de dizer: "Gata, te liga, eu jamais me interessaria por um idiota que perde o seu tempo na tua companhia."

ABANDONADA

Nunca tente ajudar uma senhora do seu prédio que foi despedia do emprego e abandonada pela família. Pense bem, alguma coisa ela aprontou. Então, não seja solícita aceitando comprar alguma coisa dos livrinhos que ela lhe empurra no corredor. Faça a linha blasé e diga que só usa importados e tem alergia a produtos vendidos por revendedoras. Ou então aguente a velha ligando 8h30 da manhã para dizer que o seu óleo chegou!

BINA

Tem invenção mais incrível que a bina. Você liga, a pessoa não atende. E se ela não retorna, ótimo! Você já sabe que ela não quer falar com você. Ok, você pode até ligar uma segunda vez. Mas vamos combinar, a não ser que essa pessoa te deva dinheiro, se ela não atendeu ela não quer falar contigo. Ela não te ama mais. Ela não quer mais ser seu amigo. Ela te despreza, te ignora, te detesta. Simples e claro. Não para a velha que quer me mostrar os mais novos livrinhos revendedores e já ligou 21 vezes para o meu celular num único dia. Saudades do "diz que eu não tô".

31 agosto 2010

quanto vale o seu tempo

- Faz pouco tempo que você mora por aqui, não?
- Não. Já moro há 3 anos.
- Eu moro há 53.
...
- Faz pouco tempo que moro por aqui

29 agosto 2010

porque até o jazz gostaria de ser mais rock n' roll

Qual o seu grau de comprometimento com alguma coisa? Qualquer coisa.

O que é uma obrigação pra você? O que costuma fazer religiosamente? Acha que já aprendeu tudo? Plagia ou segue tendências? Cria ou, na verdade, recria? Pensa com a tua cabeça ou a partir de estereótipos? Você é gênio? Tá gostando assim?


Não me preocupa a ansiedade e o tédio, mas sim a apatia.
Se tá bom assim como está. Fica aí. E não entra




Se já sabe como fazer vai lá e faz.

;-)

Ilustração: Stephan Doitschinoff

02 agosto 2010

Solidão e silêncio

Conheço poucas pessoas que apreciem tanto a solidão e o silêncio como eu.
Porque falam muito alto. Porque conversam em demasia no telefone.
Combinam encontros e marcam jantares.
Rabugentísse à parte, confesso um pouco de inveja. Não do excesso de companhia e conversas, mas do apreço exaustivo de ambas. Queria, por vontade própria, tomar tal iniciativa. Mas sempre preferi não.
E não é que eu tema ser contrariada e ver todas as minhas crendices colocadas à prova.
Conheço poucos que demonstrem maior questionamento às próprias certezas do que eu mesma.
E acredito que o silêncio tenha maior poder para modificar opiniões pré-estabelecidas do que conversas entre iguais.
A solidão e o silêncio tem um requinte quase maior do que o de um casal que ainda não oficializou o seu desejo.
É por essa solidão que passam as lembranças em branco e preto. E é o silêncio que as tornam bem mais dignas de um roteiro do que elas verdadeiramente foram.
Aquela casa, aquela rua, aquela cidade pequena.
Os sorrisos, as lágrimas e os sorrisos por debaixo das lágrimas.
Enquanto escrevo simulo um ideal que apenas a companhia felina e Blue Moon podem burlar.
E bebo mais um gole de vinho. Escrevo mais um pouco. E minto mais um pouco.
E a vida segue.