30 maio 2014

que seja belo enquanto dure



Cada momento pode ser interpretado como um breve intervalo entre o que era e o que está por vir.
Quando estamos desesperados, abandonados, chateados, desorientados... não percebemos que este pode ser aquele momento único. Esquecemos de olhar pro lado.
Não enxergamos a chaleira que chia no fogão, nem a beleza de uma flor dentro de uma garrafa...

Agora a pouco percebi algumas coisas que gosto tanto:
uma mensagem fofa no celular
um livro todo sublinhado
unhas vermelhas

Khalil Gibran já diria: "Vivemos pra descobrir a beleza/ Todo o resto é uma forma de espera"

Pra que esperar, então?
Não se iluda. Não é preciso atravessar o oceano para ver beleza nas pequenas coisas.
A beleza está no nosso olhar. Bem perto.


12 maio 2014

Sobre aquilo que você consegue controlar

Controlar a dieta é fácil, o desespero por um chocolate, a vontade de negrinho de colher, só mais um pedaço de picanha...
Controlar os exercícios semanais? Consegue. Vai, mais um dia. Só por hoje essa corrida. Mais uma postura de yoga, segura por mais tempo. FORÇA!
Até meditar a gente consegue. Fecha o olho. Lembra do mantra. Pensamentos. Medita aí.
A relação a gente controla. Conversa um pouco, esquece outro pouco, passa um tempo em silêncio. A gente se entende no fim das contas, no fim do dia, no fim do mês ou no começo do outro.
Dá pra controlar a convivência? Claro. Fica mais um pouco.
A gente controla a saudade da família, dos amigos, daqueles que nunca mais viu e talvez não veja tão cedo.
A gente controla os imprevistos do trabalho, as roubadas do dia a dia, as horas extras... as crises, os desafetos....
Controlamos o sono, a disciplina do novo filho, as mamadas, os refluxos, as manhas...
Controla o álccol! Quem diria. Mais uma taça? Não, obrigada.

Só tem uma coisa que a gente não controla: OS HORMÔNIOS.



26 março 2014

Menos é muito mais ((9 meses))

(escrito dia 18/01/2014)

Me adaptando a viver num tempo fora do relógio percebo aquilo que realmente importa. Os últimos 3 anos foram os mais felizes da minha vida, o que não significa que não houveram tempos difíceis dentro dele.



Na ansiedade da espera consigo perceber o que realmente importa. O que realmente busco com uma vida dentro de mim.

Queria poder passar para essa vida que tem tanto de mim dentro dela, o quanto viver com menos é viver mais e melhor. O quanto qualidade é infinitamente melhor que quantidade. E o quanto nossa sanidade, serenidade e plenitude depende disso.

Pensar nisso me acalma. Acompanho o fim do dia e abstraio o barulho dos carros de janeiro. Ele é menor mas existe.

Penso por quê queria tanto ter um filho. Por que quero alguém com meus genes, manias e birras...
E eis que a resposta surge na meditação deste fim de tarde de segunda. Para conseguir passar o que aprendi nos meus anos de vida.

Conseguir puxar, ainda que aos poucos, minha cria dessa orgia do consumo exacerbado. Ensinar ele a respirar,  a manter o corpo em movimento, a se alimentar de forma mais saudável e menos americanizada. A comprar menos, a comer menos, a beber menos...
Ser e ter menos é mais.

Serenidade.

Esse sentimento é luxo nos dias de hoje. Em que a maioria das crianças sofrem de hiperatividade e, consequentemente, de insatisfação permanente.

Eu diria:

"Meu filho, você não precisa ter tudo. E nem saber tudo. Você só precisa ter dedicação e foco. Escolher um caminho e seguir nele. Claro que pode mudar de ideia. Mas a sua vontade tem que ser maior que sua habilidade. A habilidade pode gerar excesso de confiança, o que pode fazer você esquecer o quanto é importante não perdermos a humildade.

Pode ser difícil de acreditar, mas menos é muito mais.

Com o menos você consegue criar momentos valiosos. Sua vida é mais simples, e todos sabemos que é preciso trabalhar duro para ter acesso à simplicidade.

Portanto, não se iluda com o mundo de consumo que te cerca, onde as pessoas pensam mais em ter do que em ser. Ele é raso. É ilusório. E forma adultos vazios que vivem pagando prestações, fazendo dietas da moda e correndo para alcançar o vento. O real está dentro de ti. A força está naquilo que você é, e não naquilo que você tem. E, por favor, não confunda desapego com o papo riponga de pessoas que passam a vida toda às custas dos pais. Conquiste suas próprias coisas, mas não fique escravo delas.
Se eu conseguir passar esse único aprendizado pra ti, meu filho, já me sinto vitoriosa."

Pode vir, Joaquim.

.

23 dezembro 2013

10 quilos mais tarde ((8 meses))

"Você vai ter muito sono, gerar um filho exige muito do corpo."
"Você vai inchar."
"Você vai ficar tão distraída que vai se sentir uma incompetente no trabalho."
"Você vai andar devagar, pensar devagar e esquecer de muitas coisas..."
"Você vai ter câimbra e uma vontade incontrolável de comer doces, e de comer mais, muito mais, e não vai ter vontade de fazer nada..."
"Suas noites serão interrompidas por muitas idas ao banheiro pra fazer xixi. Aliás dormir vai ser um problema. Assim como acordar."
"Você vai ter falta de ar, dificuldade para respirar quando sentada, você vai virar uma barriga ambulante."
"Vai ser difícil transar por maior que seja a sua vontade. E a sua vontade vai ser maior. E às vezes vai te faltar forças." 
"Seu cabelo vai mudar e seu peito vai crescer ... e muito."


Quer saber? É tudo verdade. É isso mesmo.
Engravidar quase não combina com a mulher de hoje. E por mais a fim que o pai esteja da situação, ele dificilmente entende o que se passa. 
Por quê? Porque ele é homem.
É tudo isso e mais um pouco. Você não está grávida, você é "a grávida".
Mulher? Profissional? Sexy? Amiga? Amante? Atlética? Festeira? Parceira de mesa de bar?
Não. Grávida.
Você dá trabalho aonde for porque, sim, você está debilitada. Você precisa mais dos outros do que nunca. E ninguém imagina o esforço FDP que você está fazendo para contornar todas as verdades lá de cima. 
É muito difícil mesmo. Mas você precisa conseguir porque pelo menos profissional você não pode deixar de ser até o último momento...
Sua falta de paciência? Totalmente justificada.
Como você, que está passando por tudo isso, consegue fazer coisa pra caramba? É claro que você não tem paciência com gente preguiçosa, reclamona e lerda. Você quer, no mínimo, estrangular esse tipo de gente. 
E, juro, por mais feliz que você esteja com o seu bebê, você não aguenta mais ser "a grávida".

27 novembro 2013

a arte da espera ((7))





Será que ele vai gostar de rock? De bossa nova? E de black music?
Vai ter ídolos parecidos com os nossos?
Vai preferir ir a um show que ao shopping?
Vai ter amigos tão sensacionais quanto temos?
E as festas? Vai conhecer os melhores lugares? Aquele que toca aquela música, que tem os melhores papos, as cantadas menos óbvias e a pista de dança mais animada?
E o boteco? Vai ser o que tem as discussões mais acaloradas? Sobre o que mesmo? Política? Futebol? Mulheres?
Melhor que isso! Será que o grupo de amigos dele será das pessoas que ele mais admira na cidade, quiçá no país?
Gente que cresce, que inventa, que faz diferente, que reinventa lugares, danças e jeitos de fazer arte, publicidade, jornalismo, shows, passeatas, revista, televisão, fotografia, cinema, futebol?
Será que ele vai ter orgulho do que faz?
Ele chutou.
Será que foi um sim?


27 outubro 2013

na barriga das outras é refresco ((6 meses))




Por que as mulheres que trabalham e têm vida social têm cada vez menos filhos? Acabo de descobrir.
Muitas estão decidindo inclusive não tê-los.
E aqui estou falando de mulheres que trabalham de verdade, não as que podem escolher dar uma pausa para decidir se voltam ou não à labuta. 

Descobri a verdade. Às malas de plantão devo dizer que amo meu filho. Mas eis o que penso sobre a gravidez:

Não há nada de muito emocionante em ter de se levantar da cama de lado quatro vezes por noite para fazer xixi, em gemer toda vez que você fica em pé e não poder beber um vinho sem culpa no fim do dia.

Ninguém diz, porque vivemos nos tempos mais politicamente corretos insuportáveis dos últimos tempos, mas gravidez é um troço chato.
É mais do que muitas mulheres aguentam, até mesmo as mais animadas com o novo bebê. 
Fora o próprio desconforto físico da gravidez, a atitude das pessoas que cercam uma grávida também muda durante este período. São perguntas e CONSELHOS sem fim e inúmeros comentários sobre o seu corpo.

É o fim do churras com cerveja, da caipirinha à beira mar, dos esportes radicais, dos papos apimentados sobre sexo... Porque conversar com outras mulheres grávidas, com mães, com mulheres que NUNCA tiveram filhos mas sabem TUDO DO ASSUNTO e com mulheres que tem uma família  gigante é um tédio sem fim.

E o pior? Sempre tem aquela mulher que nasceu pra ser mãe do seu lado. Ela, que obviamente não tem vida social, sabe tudo sobre maternidade e faz tudo da maneira politicamente correta que você odeia e ainda não sentiu qualquer incômodo na gravidez porque não bebe, não vai a shows, dificilmente coloca biquini e o ponto alto do seu dia é dentro de algum shopping center da cidade (booooooring!).

EXISTE AMOR NA GRAVIDEZ :)

Claro que é o máximo sentir o bebe mexer e pensar na cumplicidade que aquele serzinho terá com você quando nascer. Ele mais do que ninguém entende o que a sua mãe está passando. Por quê? Porque está no gene. A criatura vai, de um jeito ou de outro, gostar de coisas parecidas com aquilo que você também gosta. Thanks, God! 

Mas a vida moderna que as mulheres conquistaram com o feminismo deixou a maternidade atrelada a um desconforto ainda maior.

Mesmo para quem como eu não teve enjoo ou qualquer mal estar, a gravidez é um pacote mal acomodado no porta-malas. É um sobrepeso com o qual você percebe que não sabe lidar toda vez que precisa sair do carro.
Por mais magra que seja uma gravida, você engorda. E alem do cansaço de estar formando um ser, você carrega quilos extra. Não é à toa que as pessoas mais gordinhas se cansam mais rápido, têm falta de ar e dificuldade de locomoção.

Eu que sempre fiz atividade física e sempre fui ágil, me sinto uma ameba fazendo tudo mais devagar, calculando os passos para não cair e pensando duas vezes antes de sentar em algum lugar, porque sentar significa levantar em algum momento...

Ser mãe é penar no paraíso?
Aham. 
Mas algo me diz que vale o esforço. 




04 outubro 2013

Ela cresce e você desaparece ((5meses))


Onde você vai você carrega a gravidez com você. A faxineira olha e sorri, a recepcionista e o segurança também. Ninguém mais te vê, as pessoas olham pra sua barriga. Você virou uma barriga. Você sorri sem mostrar os dentes, mas na verdade, sente falta quando alguém não faz isso.

Não tenho dúvidas, a gravidez é um dos momentos mais solitários da vida. Uma carência de atenção que nunca existiu aparece, paradoxalmente, junto com uma vontade de sumir, de se recolher com sua cria longe dos olhos curiosos que parecem te despir.

Não tem jeito você agora é uma barriga.






19 setembro 2013

Esqueça




"Felicidade? Não passa de saúde e uma memória ruim."

Albert Schweitzer escreveu isso.

A joie de vivre - a alegria de viver dos franceses, aquela que ignora o tempo e a racionalidade - acompanha domingos quentes. Desses que você avalia fotos recentes e reconhece sorrisos sinceros. Você sorri também, e depois esquece.
Bom mesmo é improvisar a vida sem medo de errar. Acreditar na força do momento presente.

Antes de inventar a lâmpada, Thomas Edison errou durante anos, registrando centenas de patentes inúteis. Charles Darwin pensava devagar - sua contribuição aconteceu depois de longas e tediosas sessões de meditação.

Não tenho dúvidas: a sorte bate nos momentos mais inoportunos. Os melhores convites sempre aparecem quando se tem compromisso. O verdadeiro amor sempre nasce daquilo que te desafia, te testa, te tira da zona de conforto.
Você se descobre grande quando assumiu responsabilidades que não imaginava dar conta. E para fazer aquilo que se realmente quer é preciso trabalhar duro. E engolir sapos caretésimos que você vai transformar em príncipes modernos mais lá na frente. É... é preciso ter coragem.

Esqueça a regra. Tente a curva. Faça o retorno se for necessário. E o caminho vem ao natural. As pessoas certas chegam quando você está ocupado resolvendo questões. Olhe pra elas nos olhos. 
Escute-as de verdade. Aceite um elogio. Transforme a cantada numa amizade incrível. 


E depois?        
Depois não existe.


13 agosto 2013

Mulher alterada? Presente. (( 4 meses ))



Ok, Maitena sempre exagera. Não é bem assim.
Ninguém aqui quer ser sustentada ou quer uma velhice rodeada de netos...

Mas me confesso alterada. No bom e no mau sentido. Mulher difícil, chata nas horas vagas...

Sempre quis, e assumi, trabalhar, namorar, casar, ser magra e não ter celulite...

E os homens?

O casamento para o homem, disse uma vez Mario Prata, significa botar uma mulher dentro de casa. 
E, depois, sair pra rua.
Só que ela precisa estar lá quando o cara voltar, de preferência sem questionar por que ele saiu em vez de se contentar com tudo o que ela tem a oferecer.

Por que prefiro ser a chata?
Melhor fazer essa pergunta ao ex-marido da Amélia, aquela dedicada que ele abandonou em troca de outra, cheia de exigências.

E depois, de mulher boazinha o mercado tá cheio.


06 agosto 2013

A culpa é de quem? (( quase 4 meses ))

Uma inesgotável sensação de culpa se coloca entre mim e a visão de mundo todos os dias.
Como seria se livrar da culpa?


Culpa por não falar mais com aquele amigo que eu adoro, por não pagar contas em dia, por beber quando não deveria, por não participar de festas de família. A lista é interminável.

Prefiro diariamente me sentir culpada a aceitar que, no grande esquema do Universo, não sou só eu quem comanda o show.

Resolvi, portanto, não aceitar mais culpa ou crédito. Devo tudo ao acaso.
Segundo especialistas, em probabilidades, a chance de algo acontecer em certo tempo é astronômica.

Minha presença aqui, agora, é uma fortuna inesperada, uma aposta, um acidente fortuito.

Surpresas à parte, agradeço de verdade a meus amigos. Esses sim são os guardiões da minha identidade.
Quando eles respondem minhas mensagens, ou retornam minhas ligações, provam que minha existência não é pura imaginação.

Sendo assim, nada como saborear a passagem do tempo. É um sofrimento tão doce.

Desfrutar o momento - aproveitar o dia - e depois deixar que ele se vá.

02 agosto 2013

Voltei, amor (( 3 meses e meio ))

Vivenciar é saturar uma experiência.
Dessa forma, não tem jeito. Essa vai ser a sua pauta até a experiência acabar.

Algumas experiências são únicas.
A que vivo no momento me deixa plena. Eu me basto.
Às vezes, penso: "Não quero fazer isso porque estou muito cansada."
Mentira.
Todos os eventos que desmarquei à noite, eu desmarquei porque eu me basto. Me basto em casa com meus livros e sites.
Me basto com minhas dúvidas e loucuras de primeira viagem.

E o pior!!! Até o marido fica de fora.
Não é por mal.
Estou inteira.

Os conselhos todos ficam de fora...
É difícil dizer isso no momento da vida em que mais recebo conselhos. Zzzzzzz.

Li isso num blog e adorei:

"Escutar ou ler algo é apenas escutar ou ler.
Não é aprendizado real.
Aprendizado real vem de cometer erros.
E erros acontecem quando tentamos."

Pode deixar que eu vou cometer meus erros sozinha. Um dos melhores conselhos que já ouvi na vida foi: "Não siga os conselhos de ninguém!"
Nunca tive o sonho de engravidar e ser o centro das atenções! Família certinha e filhos? Não.

Mas sempre quis namorar, casar. Confesso. Acho a vida em casal muito mais bacana.
Gosto de cumplicidade, carinho, beijo na boca...
E agora? Agora me deparei gostando do meu estado em si. E só.

Veja bem, meu bem...

Minha médica disse: "Esquece, os homens não entendem o que é estar entupida de hormônios."
Perdão, amor, tentarei melhorar. Olhar mais pra frente que pra baixo. Assumir que mais do que qualquer sentimento materno, eu sou mulher, e do que gosto mesmo é de dividir as gargalhadas, brigas e todo o mais.

Eu quero amor pra vida toda. Dividir com alguém aquilo que eu acredito ser o que vale a pena de verdade.
O mais legal é que olho em volta e confirmo que essas coisas não estão nas prateleiras das lojas. Não estão na dieta da moda. Não estão na viagem dos sonhos.
Elas são passadas com quem se ama.
Voltei, amor. Estou aqui de corpo e barriga presente.


26 julho 2013