22 setembro 2010

lembranças de um passado remoto

Parece que se passaram 20 anos desde que eu tropecei em mim mesma. Mas foi logo ali, 4 anos atrás.
E hoje, tão envolvida com pessoas e acontecimentos bacanas, não reconheço o sentimento.

Um dia você acorda e decide que não quer mais ter que acordar.
Você esquece de pentear o cabelo. Não arruma mais a cama e mal se olha no espelho.
Tem um dia que você vai chorar compulsivamente porque cada vez que o choro está ensaiando um término você lembra que todo o choro não eliminará a dor. Primeiro você se sente culpada. Sente falta. Depois você percebe que não é o outro. É você.
Então, olha no espelho. Aquelas espinhas que nunca incomodaram na adolescência se instalam na cútis dos vinte e poucos anos.
Você não ri.
Escreve. Escreve. Escreve. Amassa a maioria dos papéis e não joga fora. Você não consegue jogar nada fora a não ser a outra metade do macarrão instantâneo que você certamente não vai conseguir comer.

Você escreve um milhão de emails e salva em rascunhos na esperança de um dia ter coragem de não mandá-los.
Todos os homens do mundo são feios e desinteressantes, com uma breve excessão ao Jogador de Dostoievski. Mas o resto? É só o pó.
Você é feia.
Os dias de sol são feios. A única pessoa com uma beleza lenta é uma amiga que nesse momento vem em sua direção com um rivotril na mão.

O mundo acabou. O sonho acabou. E por que diabos você ainda precisa caminhar por ele e justificar sua ausência em eventos não felizes.
Não. Em momento algum pensou em se matar. Você não é suicida.
Você só queria dormir e não acordar tão cedo.
Talvez dormir pra sempre.
Isso não é se matar. É desistir.
Desistir por um tempo.

Mas eu sempre acordava.

E um dia eu acordei de verdade.
Daí eu voltei.

Um comentário:

Pattiê que fica, disse...

"ostra feliz não faz pérola"... não sei de quem é, mas sei que é verdadeiro. está cada dia melhor, guria.

beijos