27 abril 2011

Na estrada

Temos a real ilusão de que sofremos quando as coisas acabam.
Quando termina, quando partimos, quando eu sou convidada a me retirar, sou despejada, mandada embora. Trocada? Substituída.

Mas a grande verdade é que já estamos sofrendo há algum tempo. Estamos penando, moendo. Estamos dançando o último tango do fim. Ninguém sorri durante um tango. E você tem direito a dar uma última ligação, e quando liga, ninguém atende. E se atende diz que precisa desligar.

Não existe um fim sem um caminho. Até a morte acidental tem um caminho. E ele é inteiro percorrido. E quando acaba, perguntamos "por quê?"

Quanta gente vai morrendo por dentro? Vai se matando, se testando, se pisando, se odiando.
Tudo termina sempre. Estamos sempre caminhando pro fim. Tendo ou não grandes objetivos, caminhamos pro fim. Porque queremos desesperadamente mudar de vida, ou porque queremos nos entorpecer pra não pensar. Queremos viajar, queremos saber de coisas novas, queremos aprender. Ou, ainda, quando sedentários, acomodados, céticos, desesperados. Todos caminham pro fim.

O fim é cruel com quem se sensibiliza com despedidas. É cruel com quem tem medo do novo.
Ah! - diriam os otimistas - mas o fim é o começo!
Sim, é o começo do fim.
Tudo caminha para o fim. Vejam os pobres ecochatos tentando defender um planeta que caminha pro fim. Tentando adivinhar o ano para não serem pegos de surpresa. Quando não há anúncio algum. É de repente.
Porque tudo vai acabar, ou está acabando.

Tudo finda.


Fim

5 comentários:

ALEXANDRE ALAOR BERGHAHN disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ALEXANDRE ALAOR BERGHAHN disse...

Caríssima Juliana!
Sou apaixonado pela escrita e encontrei em seu Blog o verdadeiro sentido da palavra...parabéns

Juliana Menz disse...

Oba, Alexandre.
Seja sempre bem vindo :)
Obrigada

Carolina Neto disse...

Sincero :) Adorei

Juliana Menz disse...

Sempre bem vinda, Caroline.
Bjo e obrigada ;)