Eu também duvidei. Mas ela veio.
E enquanto Amy estiver em solo brasileiro vai ter jornalista de merda dizendo: 'Amy com peito de fora', 'Amy xingou fã', 'Amy bebeu um martini', 'Amy bebeu uma cerveja'...
E eu digo jornalista de merda porque sei, com conhecimento de causa, que até em revista de fofoca pode-se ter dignidade.
Mas o que acontece é que Amy foi o grande acontecimento musical da última década. E não tem bandinha indie, algumas que eu até gosto muito, e nem bandinha pop que desbanque isso.
Amy tem um puta talento. Talento reconhecido por público e crítica.
Ela pode ser excêntrica, perturbada, viciada, doida, alucinada. Agora me responde: quantas pessoas que você conhece que são exatamente isso e não desenvolveram um décimo do talento que ela tem?
Acontece que não se chuta cachorro morto. Se tem muita gente deixando a pele e o corpo horríveis em função de vícios, isso não interessa a ninguém.
Mas se é alguém com letras autobiográficas, com um senso musical incrível, com uma voz fabulosa, e que estorou nós últimos anos, tem quem se interesse.
Amy veio. Está bebendo água. Terminando os shows. E quem se importa se em alguns momentos quem assume os vocais são os backing vocals. Eu não.
Pois se você se importa, não vá ao show. Se guarde para o show do U2, do Iron Maiden, do Ozzy Osbourne, do Roxette.
O que não faltam são shows em São Paulo esse ano. E o que não faltaram foram notícias de Amy nos últimos dois anos mostrando exatamente como ela é e do mal que sofre.
Já escrevi uma vez isso: não deve ser fácil ser brilhante. Porque ser mais um já é tão difícil.
Por isso não condeno Amy. Mesmo fazendo músicas em estilo mais reggae (e eu ODEIO reggae) ela continua foda. Então, é mais fácil dizer: 'ela é uma viciada'.
Ser viciada por ser mais um é sinal de fraqueza. Ser viciada por ser brilhante é sinal de que ela é humana.
Que Amy se salve.
Amém.
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